Edição 175

YieldMAX™ Plus

Uma nova era na retenção de gordura e proteína em queijos frescos

O mercado brasileiro de Queijos Frescos, com destaque para o Minas Frescal e o Queijo Coalho, caracteriza-se pela forte presença no consumo diário. A produção é ampla e pulverizada, englobando desde grandes indústrias a produtores artesanais. O processo produtivo é relativamente simples, o que reduz as barreiras técnicas de entrada e intensifica a competição no mercado, no qual a eficiência operacional passa a ser um diferencial.

Apesar de consolidada em volume, a categoria de Queijos Frescos ainda apresenta oportunidades relevantes de evolução em termos de eficiência, uma vez que a indústria não se encontra tão avançada quando se trata de tecnologias mais modernas em ingredientes, equipamentos e processos.

O queijo Minas Frescal é classificado pelo Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade como um queijo de muito alta umidade. Este queijo é fabricado apenas com coagulante, geralmente sem adição de fermento lácteo, resultando em um pH próximo ao neutro. A combinação de alta umidade e pH elevado resulta em um queijo extremamente sensível, de curto shelf life, exigindo rigor nas boas práticas de fabricação, uso adequado da tecnologia de produção e manutenção eficiente da cadeia de frio, uma vez que qualquer ruptura na refrigeração pode comprometer sua qualidade.

Já o queijo Coalho é um dos queijos mais tradicionais e amplamente difundido no Nordeste do Brasil, e vem ganhando popularidade em outras regiões do país seja com o tradicional churrasco ou em praias, por exemplo. Classificado como queijo de média a alta umidade, apresenta um desafio tecnológico relacionado à sua capacidade de derretimento, por ser um “queijo para grelha”; sendo necessário que mantenha sua estrutura quando submetido ao aquecimento.

Nesse contexto, a umidade é um parâmetro crítico de controle, uma vez que níveis elevados promovem alterações na estrutura do queijo e aumentam a tendência ao derretimento. Dessa forma, torna-se necessário trabalhar com teores enquadrados na classificação de média umidade, a fim de assegurar o desempenho funcional do produto, ainda que essa condição possa impactar negativamente no rendimento.

Para ambos os queijos, a forma predominante de avaliação é o rendimento econômico (L/Kg), no qual a maior ou menor umidade direciona o resultado. A avaliação da retenção de sólidos na coalhada, como gordura e proteína, ainda representa um caminho a ser desenvolvido para uma análise mais completa de eficiência do processo.

Uso de enzimas como ferramenta de otimização

Diante dos desafios relacionados à retenção de gordura, proteínas e umidade, o uso de soluções enzimáticas tem se consolidado como uma estratégia eficiente para melhorar o rendimento e a eficiência na fabricação de queijos Minas Frescal e Coalho.

A maximização do aproveitamento dos constituintes do leite é um dos principais objetivos da indústria, uma vez que perdas de gordura, proteínas e outros sólidos para o soro impactam diretamente a rentabilidade do processo e a qualidade do produto final.

Limitações das abordagens convencionais

Tradicionalmente, diferentes enzimas são aplicadas de forma independente para atuar sobre componentes específicos da matriz do leite. Dependendo de seu mecanismo de ação, essas soluções podem aumentar a incorporação de sólidos, reduzir perdas para o soro ou melhorar a retenção de umidade.

Entretanto, seus benefícios geralmente estão associados a substratos específicos e, consequentemente, apresentam aplicações e limitações particulares. Além disso, o desempenho dessas tecnologias pode variar em função da composição do leite, das condições de processamento e das características de cada tipo de queijo.

A importância da dosagem e do ponto ótimo de aplicação

Um aspecto fundamental na utilização dessas tecnologias é a existência de um ponto ótimo de aplicação, que varia de acordo com o tipo de queijo, a composição do leite e os parâmetros de fabricação.

Nessa condição, os ganhos de rendimento e retenção de sólidos são maximizados sem comprometer as propriedades tecnológicas da coalhada. Quando a intensidade de ação enzimática ultrapassa esse ponto, o aumento excessivo das interações proteicas pode influenciar a formação do gel, resultando em uma estrutura mais frágil e suscetível a perdas de sólidos durante etapas como corte e mexedura.

A adequada seleção e otimização da dosagem são fundamentais para garantir o equilíbrio entre o fortalecimento da matriz proteica e a manutenção das características desejadas do processo.

Um novo modelo para maximizar o rendimento

Com base em seu amplo conhecimento em biossoluções e na compreensão dos mecanismos envolvidos na coagulação e retenção de sólidos, a Novonesis desenvolveu uma solução enzimática inovadora capaz de ir além das abordagens convencionais, entregando ganhos de rendimento sem comprometer as propriedades tecnológicas e funcionais dos queijos.

A tecnologia atua inicialmente sobre a fração lipídica do leite, promovendo uma maior interação entre gordura, proteínas e água. Esse mecanismo não apenas favorece a retenção de gordura, como também gera modificações funcionais benéficas na matriz proteica.

Como resultado, observa-se um fortalecimento controlado da rede proteica, associado ao aumento da retenção de sólidos e umidade, proporcionando ganhos consistentes de rendimento e eficiência industrial, sem impactos negativos nas características sensoriais e funcionais do produto final.

Benefícios para a eficiência e rentabilidade da produção

Ao integrar diferentes mecanismos de retenção de componentes do leite, a solução oferece uma abordagem abrangente para a otimização do processo produtivo. O resultado é um melhor aproveitamento dos constituintes do leite, contribuindo para aumentar a eficiência operacional e a rentabilidade da fabricação.

Como toda ferramenta tecnológica, sua aplicação deve considerar fatores como composição da matéria-prima, tipo de queijo, condições de processamento e objetivos específicos de desempenho, garantindo a obtenção dos melhores resultados em cada realidade produtiva.

YieldMAX™ Plus

YieldMAX™ Plus é uma solução enzimática que combina enzimas específicas como fosfolipases e transglutaminase em um único produto. Essa solução integrada atua simultaneamente nas fases lipídica e proteica do leite, otimizando o rendimento do processo.

Enquanto as fosfolipases melhoram a retenção de gordura, a transglutaminase fortalece a estrutura proteica, aumentando a retenção de água e preservando a integridade do queijo. O equilíbrio entre essas enzimas, adaptado a cada processo, possibilita ganhos de rendimento sem impacto negativo na coagulação ou mesmo na textura e funcionalidade dos queijos.

Por isso, é necessário desenvolver estratégias que permitam maximizar os benefícios da solução YieldMAX™ Plus com suporte técnico especializado e respeitando as particularidades operacionais de cada cliente, garantindo os ganhos esperados com segurança.

Resultados industriais

Estudos conduzidos com YieldMAX™ Plus demonstraram que os parâmetros de coagulação são mantidos nos padrões esperados, garantindo a manutenção da firmeza e estrutura do gel. Os resultados comprovam que o tempo de coagulação e o desenvolvimento da firmeza do gel permanecem semelhantes ao processo padrão.

Visando mensurar a eficiência produtiva em Queijo Minas Frescal, a retenção de sólidos na coalhada é um parâmetro importante a ser considerado, uma vez que níveis mais elevados de retenção resultam em menores perdas de gordura e proteína no soro e, consequentemente, reduzem a demanda desses constituintes para a produção de cada quilograma de queijo.

Tratamento com YieldMAX™ Plus apresentou desempenho superior em relação ao controle, evidenciado pela redução de aproximadamente 5% de gordura e 4% de proteína para a produção de 1 kg de queijo. Esses resultados indicam maior eficiência na incorporação de sólidos ao produto final.

Eficiência produtiva: retenção de sólidos na coalhada

Necessidade de gordura e proteína/Kg

Queijo Minas Frescal

Rendimento L/Kg

Queijo Minas Frescal

Adicionalmente, a avaliação do rendimento econômico, expressa em litros de leite por quilograma de queijo produzido (L/Kg), demonstrou ganhos entre 3% e 5% com YieldMAX™ Plus, reforçando o impacto positivo do uso dessa tecnologia na eficiência do processo.

A aplicação de YieldMAX™ Plus para a produção de Queijo Coalho, também apresentou dados relevantes, como a redução de aproximadamente 5% de necessidade de gordura e 5% de proteína para cada 1 kg de queijo, impactando positivamente no rendimento econômico L/Kg.

YieldMAX™ Plus proporcionou um aumento de 1,5% na umidade do queijo coalho e, mesmo com maior umidade um melhor desempenho de derretimento em comparação a amostra padrão. YieldMAX™ Plus promove ligações fortes entre proteínas, resultando em uma rede proteica mais estruturada e estável sob aquecimento.

Esse efeito foi confirmado pela análise de textura, na qual o queijo com nossa solução apresentou maior firmeza ao corte (+14,7%) em relação ao controle, evidenciando ganhos tanto em rendimento quanto em funcionalidade.

A aplicação de YieldMAX™ Plus se consolida como uma estratégia eficaz para otimização de rendimento em Queijos Frescos, atuando de forma integrada sobre as frações lipídica e proteica do leite. A tecnologia permite ganhos consistentes de eficiência produtiva e rendimento, com menor consumo de sólidos, mantendo as características de estrutura e funcionalidade dos queijos.

Necessidade de gordura e proteína/Kg

Queijo Coalho

A aplicação de YieldMAX™ Plus se consolida como estratégia eficaz para otimização de rendimento e funcionalidade.

Análise de textura

Queijo Coalho

Legislação

O uso das enzimas fosfolipase e transglutaminase foi aprovado no Brasil por meio da Instrução Normativa 286, de 8 de março de 2024, que estabelece funções tecnológicas, limites máximos e condições de uso para aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia autorizados em alimentos. De acordo com o Anexo V, as enzimas estão aprovadas para aplicação em leites fermentados e queijos, sendo classificadas como coadjuvantes de tecnologia, sem necessidade de ser declarada na lista de ingredientes do produto.

HA-LA BIOTEC

Produção trimestral da Novonesis

Autor: Vinícius Cabido
Coordenação e edição: Raquel Chiliz
Consultoria: Michael Saito, Lúcio Antunes e Emerson Diniz
Editoração: Cia da Concepção

As informações aqui fornecidas são apenas para fins de informação geral. Todas as informações são fornecidas de boa-fé. Nenhuma garantia está sendo estendida e nenhuma responsabilidade (incluindo, sem limitação, quaisquer danos diretos ou indiretos por lucros cessantes ou interrupção de negócios) é aceita quanto à sua precisão, integridade, exatidão, não violação, comercialização ou adequação a uma finalidade específica. O(s) produto(s) pode(m) estar coberto(s) por patentes pendentes ou emitidas, marcas, registradas ou não, ou direitos de propriedade intelectual similares.

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Edição 174

Alta proteína e oportunidades para iogurtes batidos e bebíveis

Nos últimos anos, a proteína deixou de ser algo exclusivo do nicho esportivo e se tornou um dos macronutrientes mais requisitados e promissores para uma dieta saudável. Globalmente, cerca de 48% dos consumidores afirmam querer aumentar sua ingestão de proteína, enquanto 74% a associam à saúde e ao bem-estar geral1FMCG GURUS. Protein Fortification within the Dairy Sector: Trend Report – October 2025.. Além disso, cerca de 73% dos consumidores globais relacionam o seu consumo à melhora de energia, o que explica por que produtos altos em proteína migraram das academias e passaram a atingir o consumidor geral por meio de categorias bem penetradas, como é o caso de lácteos, snacks e sobremesas2FMCG GURUS. Protein Fortification within the Dairy Sector: Trend Report – October 2025..

Ao escolherem produtos lácteos, a prioridade segue sendo preço e sabor, mas a importância do perfil nutricional cresce: globalmente, 34% dos consumidores afirmam que o teor de proteína, ao lado de vitaminas, é um critério importante, reforçando a percepção de benefícios naturais intrínsecos da categoria3FMCG GURUS. Protein Fortification within the Dairy Sector: Trend Report – October 2025.. Neste cenário, a combinação de proteína com probióticos é outro destaque, com cerca de 74% da população global afirmando que consumiria um produto proteico que também oferecesse benefícios probióticos, o que torna os lácteos fermentados uma plataforma ideal para soluções multifuncionais4FMCG GURUS. Protein Fortification within the Dairy Sector: Trend Report – October 2025..

Na América Latina, os iogurtes fazem parte da dieta diária5Novonesis Global Study, LATAM 2025. e apresentam uma forte tendência de conexão com benefícios funcionais, como saciedade, energia, imunidade e envelhecimento saudável, alinhando a sólida base de consumo de lácteos ao discurso global de proteína como eixo de saúde6WGSN. Protein and Yogurts Trends. .

No Brasil, a categoria de iogurtes e lácteos fermentados é grande e segue em crescimento: 82% dos lares já a consomem e 45% aumentaram o seu consumo no último ano. O consumidor brasileiro busca um combo de saúde, sabor e preço, ou seja, o iogurte precisa ser saboroso e acessível, além de ser um alimento funcional para o dia a dia7Novonesis Global Study, Brasil 2025..

Em relação aos probióticos, 71% dos consumidores brasileiros possuem conhecimento e observa-se uma associação positiva entre o nível de conhecimento sobre o tema e a satisfação dos consumidores, o que sugere ser um fator relevante na percepção de valor dos produtos da categoria. Com a crescente busca por funcionalidade, a combinação de alto teor de proteína com probióticos acaba representando uma grande oportunidade para o setor de lácteos no Brasil, juntamente com a redução de açúcar e a variedade de sabores, mantendo a indulgência em produtos de consumo diário8Novonesis Global Study, Brasil 2025..

Para atender à crescente demanda dos consumidores por produtos com alto teor de proteínas e alinhados a uma alimentação mais saudável, a Novonesis lançou globalmente a Galaya® Smooth. Trata-se de uma solução enzimática inovadora que oferece benefícios significativos aos produtores de lácteos, reduzindo a complexidade dos processos industriais e possibilitando a entrega de produtos mais indulgentes e níveis de proteína ainda maiores.

A produção de iogurtes com alto teor de proteína apresenta desafios significativos para a indústria, especialmente no que diz respeito ao balanço da formulação, ao aumento do tempo e complexidade do processo e ao maior custo devido à composição proteica e às perdas ao longo da fabricação.

O equilíbrio na formulação é fundamental, uma vez que o enriquecimento do teor de proteína geralmente ocorre por meio de fortificação por concentrados proteicos em pó e/ou leite concentrado por ultrafiltração. O blend proteico impacta diretamente nas características do produto, como: sabor, indulgência, sensação na boca, e nas dinâmicas de processamento.

Como a fortificação da base ocorre antes da fermentação, um aumento no tempo do processo pode ser observado. Isso acontece pelos seguintes motivos:

  • na etapa de mistura, é necessário um período mais longo para garantir adequada dispersão e hidratação das proteínas que estão em pó;
  • durante a fermentação, o tempo se prolonga devido ao efeito tamponante das proteínas, o que reduz a velocidade de queda do pH;
  • no processamento da base pós fermentação, a elevada viscosidade típica de formulações proteicas pode gerar dificuldades durante o bombeamento, cisalhamento e envase, aumentando os custos operacionais.

Até recentemente, as alternativas para desenvolver produtos mais indulgentes e obter processos industriais mais fluidos estavam praticamente limitadas ao uso de proteínas de soro microparticuladas, um recurso de custo elevado e que enfrenta restrições de disponibilidade no mercado. No entanto, a demanda por uma solução tecnológica que atendesse aos requisitos funcionais e de desempenho do processo foi devidamente suprida. Galaya® Smooth é uma ótima alternativa para aprimorar formulações existentes e criar novos conceitos.

Galaya® Smooth é uma protease que atua rompendo parcialmente as cadeias proteicas, originando peptídeos de cadeias longas. Essa modificação controlada enfraquece a rede de gel formada durante a fermentação, resultando em uma redução da viscosidade, efeito que facilita o processamento e contribui para produtos mais indulgentes, com maior aceitabilidade pelos consumidores.

Com esse mecanismo, torna-se possível desenvolver iogurtes com até 12% de proteína, oferecendo ao consumidor uma experiência sensorial superior. O processo também ganha em fluxo e eficiência, permitindo otimizar os custos das misturas proteicas e viabilizar formulações mais robustas e tecnológicas.

A redução de custos ocorre ao diminuir o percentual ou a necessidade do uso exclusivo de proteínas de soro microparticuladas para alcançar altas concentrações de proteína, considerando que elas apresentam custo mais elevado e restrições de disponibilidade no mercado.

Assim é possível obter iogurtes com viscosidade fluida, sem comprometer a qualidade ou a performance do produto.

Galaya® Smooth deve ser adicionada junto com o cultivo, para que sua ação ocorra na etapa de fermentação. Após esse período, devido às condições subsequentes de pH e temperatura, a enzima não apresenta atividade significativa, garantindo a estabilidade do produto durante toda a sua vida útil.

A combinação de Galaya® Smooth com os cultivos YoFlex® pode potencializar ainda mais os resultados, proporcionando ganhos adicionais de processo, melhor textura e maior estabilidade frente à pós acidificação, contribuindo para um produto mais consistente e de alta qualidade.

Um ponto importante a ser destacado é que Galaya® Smooth promove uma hidrólise controlada, limitando a formação de peptídeos de baixo peso molecular, que são frequentemente associados ao desenvolvimento de amargor. Com isso, a enzima contribui para um perfil sensorial mais limpo e agradável, sem comprometer a qualidade do produto.

Além disso, esta solução tende a diminuir o tempo de fermentação e não afeta negativamente na estabilização e sinérese ao longo do shelf-life, preservando a performance já estabelecida na linha.

A dosagem ideal deve ser ajustada levando em consideração fatores como: teor proteico, composição do blend, características do processo e o perfil sensorial desejado, garantindo o melhor equilíbrio entre funcionalidade, textura e indulgência.

Mais funcionalidade

Para ampliar a diferenciação de iogurtes com alto teor de proteína é possível incorporar à formulação os probióticos BB-12® e LGG®, reconhecidos por seus benefícios à saúde gastrointestinal. BB-12® é a cepa de Bifidobacterium mais documentada do mundo, enquanto LGG® é o probiótico com o maior número de estudos científicos publicados, reforçando a eficácia e a segurança do seu uso em alimentos.

BB-12® e LGG®, devem ser adicionados durante a etapa de fermentação, juntamente com o cultivo matriz de fermentação YoFlex® e a enzima Galaya® Smooth, garantindo desempenho tecnológico consistente, estabilidade e benefícios funcionais adicionais ao produto.

Fontes

1, 2, 3 e 4. FMCG GURUS. Protein Fortification within the Dairy Sector: Trend Report – October 2025.
5. Novonesis Global Study, LATAM 2025.
6. WGSN. Protein and Yogurts Trends.
7 e 8. Novonesis Global Study, Brasil 2025.

HA-LA BIOTEC

Produção trimestral da Novonesis

Autoras: Natália Góes e Fúlvia Longo
Coordenação e edição: Raquel Chiliz
Consultoria: Michael Mitsuo Saito e Lúcio Antunes
Editoração: Cia da Concepção

As informações aqui fornecidas são apenas para fins de informação geral. Todas as informações são fornecidas de boa-fé. Nenhuma garantia está sendo estendida e nenhuma responsabilidade (incluindo, sem limitação, quaisquer danos diretos ou indiretos por lucros cessantes ou interrupção de negócios) é aceita quanto à sua precisão, integridade, exatidão, não violação, comercialização ou adequação a uma finalidade específica. O(s) produto(s) pode(m) estar coberto(s) por patentes pendentes ou emitidas, marcas, registradas ou não, ou direitos de propriedade intelectual similares.

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Edição 173

Elevando o setor lácteo brasileiro ao próximo nível

O Brasil vive um momento histórico na produção de leite. Dados do IBGE de 2024 revelam uma transformação notável do setor lácteo brasileiro: o país atingiu a marca de 35,7 bilhões de litros produzidos – o maior volume da série histórica – com uma produtividade recorde de 2.362 litros por vaca/ano, que representam 4,9% de aumento em relação ao ano anterior mesmo com redução de 3,4% no rebanho. Neste contexto, o valor de produção chegou a R$ 87,5 bilhões, representando um crescimento de 9,4% frente ao ano anterior1.

Estes números demonstram uma maturidade crescente do setor, com foco em eficiência e produtividade. Mas, será que ele está preparado para enfrentar os desafios que acompanham este crescimento?

Com uma população em constante expansão e consumidores cada vez mais exigentes quanto à qualidade e segurança dos produtos lácteos, o setor enfrenta uma pressão significativa para garantir que cada gota de leite produzida atenda aos mais altos padrões de qualidade.

A pergunta que deve ser feita é: como é possível transformar este crescimento quantitativo em uma evolução qualitativa que posicione o Brasil como referência em lácteos seguros e sustentáveis?

Produção nacional e desafios de qualidade

Segundo a Secretaria de Política Agrícola do MAPA, o Brasil ocupa atualmente a terceira posição no ranking mundial de produção de leite e possui mais de 1 milhão de propriedades leiteiras2.

Em 2024, a região Sudeste produziu 12,03 bilhões de litros de leite, enquanto os estados da região Sul contribuíram com 11,9 bilhões de litros. Combinadas, essas duas regiões representaram cerca de 67% da produção nacional de leite no ano passado. O Nordeste também se destaca com 6,4 bilhões de litros e um crescimento de 4,5% – evidenciando sua importância estratégica para o setor lácteo brasileiro3. Apesar dos ótimos resultados, sabemos que a crescente produção de leite deve ser acompanhada de rigorosos processos de controle de qualidade. A tendência para os próximos anos é de que apenas os produtores mais eficientes e tecnologicamente adaptados permaneçam ativos no setor até 20304.

Nesse cenário, a iniciativa pública tem se aliado ao setor privado para fomentar a modernização da cadeia leiteira. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) disponibiliza em sua plataforma digital diversas ferramentas de gestão e programas de incentivo, como:

  • Mais Leite Saudável;
  • Plano Nacional da Qualidade do Leite (PNQL);
  • Plano de Qualificação de Fornecedores de Leite (PQFL).

Além disso, o MAPA é responsável por fiscalizar e padronizar os parâmetros de qualidade do leite no país. Um dos principais indicadores utilizados para essa finalidade é a Contagem de Células Somáticas (CCS).

A CCS está diretamente relacionada à saúde do úbere das vacas, sendo um indicativo da presença de mastite. Níveis elevados de CCS (acima de 500 mil células/mL) comprometem a qualidade físico-química e microbiológica do leite, afetando a concentração de proteínas (principalmente caseína) e minerais, além de interferir negativamente no sabor, textura e vida útil dos produtos lácteos.

As instruções normativas 76/20185 e 77/20186 publicadas pelo MAPA, estabelecem os limites máximos aceitáveis de CCS e propõem estratégias para a sua redução, com foco na segurança alimentar e na padronização da qualidade do leite em todo o território nacional, tornando esse um importante desafio para o setor.

Estudos comprovam que a presença de resíduos de antibióticos utilizados no tratamento dos animais também impactam na produção de lácteos. Em iogurtes, Kosikowski e Mocquiot (1958) observaram que concentrações de 0,01 a 0,05 UI/ml de penicilina no leite inibiram o crescimento de Streptococcus thermophilus, enquanto Lactobacillus bulgaricus demonstrou maior resistência, tolerando concentrações de 0,30 a 0,60 UI/ml. Jacquet (1953) relatou que a presença de 0,02 UI/ml de penicilina no leite retardou a acidificação láctica. Anifantakis (1982) avaliou que concentrações de 0,015 a 0,05 UI/ml de penicilina, 0,3 a 1,0 mg/ml de clortetraciclina e oxitetraciclina, e 5 a 7 mg/ml de estreptomicina interferiram significativamente na produção de iogurte.

Já na produção de queijos, Bradfield (1950) comprovou que queijos fabricados com leite bovino em presença de antimicrobianos, no final do processo apresentavam sabor anormal, sem textura e muito frágeis.

Demanda do consumidor por qualidade superior

Com 213,4 milhões de habitantes7 e enorme diversidade produtiva, o Brasil representa hoje um dos principais polos de influência em alimentação e bem-estar. Em um cenário constante de transformações comportamentais, o consumidor brasileiro torna-se cada vez mais informado, exigente e atento ao impacto de suas escolhas. Entre as novas gerações, especialmente Millenials e Geração Z, alimentação saudável tornou-se parte da identidade pessoal e uma forma de autocuidado. Hoje, valor não se mede apenas pelo preço, mas pela combinação entre confiança, nutrição, transparência e impacto positivo8, aspectos importantes que podem ser traduzidos para o setor de lácteos em:

  • Segurança alimentar: Produtos livres de contaminantes e resíduos
  • Qualidade nutricional superior: Manter as propriedades naturais e benefícios intrínsecos do leite
  • Transparência na cadeia produtiva: Rastreabilidade desde a fazenda até a mesa
  • Sustentabilidade ambiental: Processos que minimizam o impacto ecológico

Dessa forma, os pontos acima deixam de ser um diferencial competitivo e passam a ser requisitos básicos, fazendo parte do próprio conceito moderno de qualidade.

Sustentabilidade como conceito de qualidade

Como mencionado, a percepção de valor passa a estar ligada à forma como o produto é produzido. Cada vez mais, o consumidor associa qualidade à sustentabilidade e busca empresas que respeitem o meio ambiente, utilizem recursos de forma eficiente e garantam o bem-estar animal. Para esse novo consumidor, um leite de qualidade é aquele que nutre sem comprometer o futuro do planeta.

Globalmente, centenas de milhões de litros de leite são descartados anualmente devido a testes positivos para resíduos de antibióticos. No Brasil, este problema assume proporções ainda mais críticas, considerando o tamanho continental do país, a logística complexa, a diversidade de sistemas produtivos – que vão desde pequenas propriedades familiares até grandes operações industriais – e a necessidade de controle rigoroso para atender mercados internacionais exigentes.

O descarte de leite contaminado representa impactos importantes econômicos, como: perdas financeiras diretas para produtores e laticínios, interrupção da cadeia produtiva e custos adicionais de reprocessamento e logística. Além disso, há impactos ambientais: cada litro de leite descartado representa entre 0,7 e 6 kg CO2 de emissões evitáveis9, desperdício de recursos naturais utilizados na produção e maior pressão sobre sistemas de tratamento de efluentes.

Neste contexto, práticas que reduzem emissões de gases de efeito estufa (GEE), reaproveitam resíduos e adotam métodos regenerativos fortalecem a relação com o público. Com a temática de sustentabilidade em alta, a indústria de lácteos tem uma oportunidade significativa de demonstrar seu compromisso ao adotar inovações e tecnologias que contribuam para o alcance das metas climáticas globais.

Boas práticas e inovações tecnológicas

Como a cadeia leiteira pode responder a esses desafios e demandas? A melhoria da qualidade do leite exige a adoção de boas práticas agropecuárias, tais como:

  • Isolamento e tratamento adequado de animais doentes;
  • Cumprimento dos períodos de carência para antibióticos;
  • Monitoramento da ordenha e higiene;
  • Adoção de tecnologias de rastreamento e controle de resíduos.

A utilização de testes rápidos para detecção de resíduos de antibióticos, aflatoxinas e adulterantes tem ganhado espaço nas fazendas e laticínios. A adoção de tecnologia de rastreamento e controle de resíduos garante maior controle sanitário e atende às exigências legais, como o Artigo 33 da IN 77, que obriga a análise de resíduos de produtos veterinários no leite transportado em tanques ou latões.

Eleve o nível dos seus testes de leite

Além do portfólio referência já estabelecido sob a marca MilkSafe™, em outubro de 2025 a Novonesis anunciou sua parceria com a Bioeasy, especialista em tecnologia de kits de teste rápido para segurança alimentar, com o objetivo de expandir possiblidades para o mercado. Essa colaboração une a expertise de ponta da Bioeasy no desenvolvimento de soluções inovadoras de testes voltados para o setor de lácteos com o nosso compromisso com a eficiência e qualidade de alto nível.

A indústria pode contar com os mesmos produtos confiáveis da Bioeasy, agora respaldados pela expertise e pelo poder de distribuição da Novonesis. Seja seu objetivo aprimorar a conformidade regulatória, minimizar desperdícios, otimizar operações ou melhorar a precisão dos testes, nossas soluções ampliadas atendem às suas necessidades. Juntos, estamos tornando ainda mais fácil garantir a qualidade e a segurança do leite.

O que MilkSafe™ Web Service pode fazer por você?


Mobilidade e conectividade

Testes de antibióticos, aflatoxinas e adulterantes no leite podem ser feitos na fazenda, no caminhão ou no laticínio. MilkSafeTM Web Service armazena seus registros com segurança e em perfeitas condições.

Gerência de dados

MilkSafe™ Web Service é sua ferramenta de gerenciamento e análise de dados conveniente e fácil de usar, que acompanha os registros históricos de testes.

Garantia de qualidade

Esteja sempre pronto para a auditoria usando o monitoramento em tempo real de testes de antibióticos, aflatoxinas e adulterantes. O serviço notifica você quando ocorre algum resultado de teste positivo.

Aprendizagem

O painel de análise fornece informações valiosas sobre quais antibióticos são mais preocupantes, onde aparecem na cadeia de valor e quem consultar para obter mais informações.

RegiõesFamília de antibióticoAntibióticos disponíveis no mercado
SudesteBeta-lactâmicos (penicilinas, cefalosporinas)Amoxicilinas, Ceftiofur (injeção para mastite)
TetraciclinasOxitetraciclinas (injetável)
MacrolídeosTilosina (uso off-label sob prescrição)
SulBeta-lactâmicosAmpicilina
TetraciclinasOxitetraciclina
AminoglicosídeosGentamicina
Centro-OesteTetraciclinasSulfadimetoxina + trimetoprim
SulfonamidasOxitetraciclina
NordestePenicilinasProcaína penicilina
MacrolídeosTilosina
NorteTetraciclinasOxitetraciclina
SulfonamidasSulfametoxazol+trimetoprim

Próximo nível em lácteos

A combinação entre escala e inovação posiciona o Brasil entre os mercados mais relevantes para o avanço de lácteos de qualidade superior. O setor entra em uma nova fase guiada por ciência, transparência e sustentabilidade, na qual qualidade passa a ser compromisso.

Com a indústria de lácteos mudando mais do que nunca, a Novonesis entende que este é o momento dos produtores levarem os lácteos ao próximo nível ao desenvolverem produtos que as pessoas amam, moldarem o futuro desse segmento enquanto acompanham as transformações do mercado e obterem mais dos seus recursos disponíveis.

O que há de novo

Portfólio ampliado para cada etapa da cadeia de valor do leite: Acesse uma ampla gama de soluções avançadas de teste para antibióticos, aflatoxinas e adulteração do leite. Com opções nos formatos de tira ou cassete, esses testes são ideais para fazendas, caminhões e pontos de recepção de leite. Essa oferta ampliada permite acesso às soluções de teste mais completas para a triagem de uma maior variedade de contaminantes em leite cru ou processado. Além das nossas linhas de produtos MilkSafe™ e Bioeasy, também forneceremos testes de tiras de temperatura ambiente sob a marca Anieasy.

Suporte técnico especializado: Nossos especialistas em aplicações estão preparados para apoiar os clientes, oferecendo assistência rápida e prática para as dúvidas sobre testes.

Documentação e rastreabilidade de próximo nível: Aproveite o MilkSafe™ Web Service da Novonesis para testes digitais sem complicações – com documentação superior, análise otimizada e acesso instantâneo a resultados sempre disponíveis para maior rastreabilidade, soma-se a inovação 4.0, garantindo mais controle na cadeia leiteira com dados consistentes e segurança cibernética das informações e resultados armazenados em nuvem.

Integração perfeita: MilkSafe™ Web Service integra-se com qualquer sistema LIMS ou ERP por meio de uma API aberta. Ele salva e armazena continuamente todos os resultados de seus testes em tempo real, oferecendo também a flexibilidade de determinar quando, onde e quais dados você deseja integrar.

Resultados mais rápidos: Obtenha resultados com maior agilidade para todos os grupos de antibióticos usados com mais frequência. O tempo de incubação varia de 3-4min para testes em cassetes e 5-10 minutos para tiras. Os limites de resíduos estão em conformidade com os LMR da UE.

Fácil de usar: Os testes permitem obter resultados em uma única etapa, aplicando o leite com ou sem incubador, além da flexibilidade ao combinar vários medicamentos em um único teste.

Validação externa bem-sucedida: Testes validados pelo ILVO – Instituto de Pesquisa de Agricultura, Pesca e Alimentação de Flandres.

Fontes

  1. IBGE: Pesquisa Pecuária Municipal (PPM), 2025
  2. MAPA, 2024
  3. IBGE, 2024
  4. MAPA, 2024
  5. IN N°76/2018: Aprova os Regulamentos Técnicos que fixam a identidade e as características de qualidade que devem apresentar o leite cru refrigerado, o leite pasteurizado e o leite pasteurizado tipo A.
  6. IN N°77/2018: Estabelece os critérios e procedimentos para a produção, acondicionamento, conservação, transporte, seleção e recepção do leite cru em estabelecimentos registrados no serviço de inspeção oficial
  7. IBGE, 2025
  8. Mintel: Tendências 2025 LATAM em alimentos e bebidas
  9. Journal of Dairy Science Vol. 105 No. 12, 2022

HA-LA BIOTEC

Produção trimestral da Novonesis

Autores: Felipe Carneiro e Raquel Chiliz
Coordenação e edição: Raquel Chiliz
Consultoria: Michael Mitsuo Saito, Lúcio Antunes, Diego Mallmann e Fulvia Longo
Editoração: Cia da Concepção

As informações aqui fornecidas são apenas para fins de informação geral. Todas as informações são fornecidas de boa-fé. Nenhuma garantia está sendo estendida e nenhuma responsabilidade (incluindo, sem limitação, quaisquer danos diretos ou indiretos por lucros cessantes ou interrupção de negócios) é aceita quanto à sua precisão, integridade, exatidão, não violação, comercialização ou adequação a uma finalidade específica. O(s) produto(s) pode(m) estar coberto(s) por patentes pendentes ou emitidas, marcas, registradas ou não, ou direitos de propriedade intelectual similares.

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Edição 172

Produtos lácteos frescos

Biociência e biossoluções

Na última edição abordamos os possíveis impactos na qualidade de lácteos fermentados, como o iogurte e a bebida láctea, decorrentes das recentes alterações no Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ) para bebidas lácteas, conforme a Portaria SDA/MAPA 1.174 de 3 de setembro de 2024, que traz padronizações e novos parâmetros para composição desses produtos e a Instrução Normativa (IN) 211 de 1 de março de 2023, que estabelece as funções tecnológicas, os limites máximos e as condições de uso para aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia autorizados para uso em alimentos. Recentemente, devido às dificuldades técnicas para adequação dos novos limites, a Portaria SDA/MAPA 1.174 de 3 de setembro de 2024 que entraria em vigor em outubro de 2025 foi postergada para junho de 2026.

Nesta edição vamos compreender as implicações tecnológicas das alterações regulatórias entendendo os fatores que contribuem para a formação da rede proteica, bem como os mecanismos que podem ser utilizados para bioproteção.

Formação da estrutura de gel em produtos lácteos fermentados

No processo de transformação do leite em iogurte ou bebida láctea fermentada é necessário desestabilizar as proteínas contidas na base para que se forme uma coalhada láctea, dando origem ao produto.

O leite é composto por aproximadamente 3,5% de proteínas, podendo variar de acordo com a raça e alimentação do animal, além de fatores geográficos e climáticos. No Brasil, por exemplo, o conteúdo médio varia entre 3,1 e 3,2%. As proteínas presentes no leite são divididas em dois grandes grupos: 80% representado pelas caseínas e 20% correspondente às proteínas de soro.

O grupo das caseínas é composto pelas frações proteicas αs1, αs2, β e κ-caseína, que se associam através de minerais — especialmente cálcio e fósforo — para formar as micelas de caseína, estruturas esféricas e coloidais de maior estabilidade. O interior dessas micelas é predominantemente hidrofóbico, sendo constituído principalmente por αs1, αs2 e β-caseína; enquanto a κ-caseína se concentra majoritariamente na superfície, conferindo estabilidade à estrutura.

Estrutura da micela de caseína

Estabilização das micelas de caseína

A fração κ-caseína possui regiões polares e apolares, sendo essencial para a estabilidade das micelas no leite. A parte hidrofóbica interage com as demais frações de caseína que estão no interior da micela enquanto a parte C-terminal, que possui característica hidrofílica, se projeta da superfície micelar. Estas interações permitem que a caseína se mantenha dispersa no leite mesmo com baixa solubilidade.

A parte externa da micela, devido à afinidade com a água, contribui para a formação de uma camada de hidratação ao redor da micela, que é fundamental para a estabilidade coloidal. Além disso, é responsável por causar repulsão estérica e promover a repulsão eletrostática entre si, devido às cargas negativas presentes nessa estrutura. Estas interações proporcionam a estabilidade completa das micelas nativas contra agregação em condições fisiológicas, ou seja, em pH natural do leite – entre 6,6 e 6,8.

Considerando que as caseínas são termoresistentes, a via para desestabilização das mesmas ocorre através do abaixamento de pH durante a etapa de fermentação. Na produção de iogurtes e bebidas lácteas fermentadas, as bactérias inoculadas via cultivo utilizam a lactose como substrato para crescimento e liberam ácido láctico, que resulta no decaimento do pH. O ácido lático libera prótons de hidrogênio no meio, que neutralizam a carga negativa contida na superfície das micelas de caseína. A agregação da caseína ocorre à medida que o ponto isoelétrico (pH 4,6) se aproxima, devido à redução da carga superficial, formando, assim, a rede proteica.

Solubilidade da caseína

Em função do pH

Já as proteínas do soro, representadas pelas frações β-lactoglobulina, α-lactoalbumina, albumina do soro e imunoglobulinas, não se precipitam em seu ponto isoelétrico. Em vez disso, são desnaturadas principalmente pelo calor, como ocorre durante o tratamento térmico aplicado na pasteurização.

No processo de fabricação de iogurtes e bebidas lácteas fermentadas, destaca-se a β-lactoglobulina, que corresponde a cerca de 54% das proteínas do soro, sendo a principal fração proteica do leite nesse grupo. A desnaturação da β-lactoglobulina tem início com o aquecimento do leite a 60°C, tornando-se quase completa quando submetida a 90°C por 5 minutos, como pode ser observado no gráfico 1, a seguir. Durante esse processo, ocorre a abertura da estrutura nativa da proteína, expondo o grupo tiol (-SH), anteriormente localizado no interior da molécula, o que permite sua interação com as micelas de caseína.

Desnaturação da proteína

Exposição do grupo tiol (-SH)

Gráfico 1

Percentual de Desnaturação da β-lactoglobulina

De acordo com o tratamento térmico (tempo x temperatura)

As reações de associação entre as frações de β-lactoglobulina e a κ-caseína por meio da formação de pontes de dissulfeto promovem a modificação da estrutura das micelas de caseína e levam à formação de uma rede proteica mais firme e estável, contribuindo para a redução da sinérese e o aumento da viscosidade.

Quanto maior a relação caseína/β-lactoglobulina, ou seja, quanto maior a proporção de leite em relação ao soro, melhor será a firmeza e a estrutura do gel, resultando em uma textura superior do produto. Isso ocorre porque a caseína é a principal responsável pela formação da rede proteica. Já as proteínas do soro, como a β-lactoglobulina, isoladamente, não possuem capacidade de formar gel. Devido a estas características há um grande desafio em obter a formação da textura esperada para bebida láctea fermentada, principalmente nas versões colheráveis, pois com a substituição do leite por soro de leite na formulação destes produtos, a relação caseína/β-lactoglobulina torna-se muito baixa, impactando diretamente na firmeza, na estruturação do gel e na retenção de água dentro da rede proteica. Com as novas exigências para esta categoria, regulamentando a diminuição de amido e, ao mesmo tempo, visando manter uma opção de custo mais acessível ao consumidor, se faz necessário utilizar uma combinação de soluções que proporcionem ao produto ganho de textura, além de estabilidade durante o prazo de validade.

A Novonesis tem em seu portfólio a nova geração de cultivos YoFlex® Premium, que agrega textura à bebida láctea fermentada através da elevada formação de exopolissacarídeos exocelulares (EPS) durante o processo fermentativo por meio da combinação de cepas específicas nos cultivos, apresentando excelente performance mesmo em bases com baixa proporção entre caseína e β-lactoglobulina.

Exopolissacarídeos são açúcares complexos, formados por unidades repetitivas de monossacarídeos, produzidos e secretados por microrganismos, que atuam como espessantes naturais, complementando a matriz proteica, favorecendo o incremento de textura e a redução da sinérese. Estes compostos combinam naturalmente alta consistência na boca, firmeza de gel e redução de sinérese, pois podem tanto interagir com as proteínas da rede proteica, como gelificar os poros de soro da coalhada.

A Novonesis segue trabalhando para entender as diferenças entre os EPS e como afetam exclusivamente a textura e estabilidade dos produtos lácteos fermentados, seja investigando a genética, biossíntese, regulação, estrutura ou interação na matriz do produto. Todas as possibilidades são exploradas para garantir o melhor resultado possível.

Tipos de Exopolissacarídeos

Cultivos bioprotetores FreshQ®

A fermentação é um método ancestral de preservação de alimentos utilizado até hoje. No entanto, os cultivos bioprotetores FreshQ® não apresentam propriedades de matriz fermentativa, são bactérias láticas especialmente selecionadas que, quando utilizadas na fermentação, ajudam a proteger os produtos lácteos contra a deterioração causada por bolores e leveduras, melhorando sua qualidade.

A vida útil dos produtos lácteos fermentados pode ser limitada por diferentes fatores e, às vezes, até mais de um fator ao mesmo tempo, como:

  • A deterioração fúngica pode tornar-se visível através do crescimento de bolores e pode ocorrer o estufamento das embalagens devido à formação de gás por leveduras.
  • Os produtos podem apresentar alterações de sabor causadas por baixos níveis de leveduras.
  • Os produtos podem tornar-se mais ácidos, o que pode levar a alterações dos parâmetros sensoriais e desestabilização da base.

FreshQ® pode contribuir para a vida útil do produto em relação a vários desses fatores, pois além da alta capacidade antifúngica contra bolores e leveduras, o impacto nos atributos sensoriais do produto e pós-acidificação são muito baixos.

O mecanismo de ação dessa linha de cultivos é pautado em biociência. A Novonesis descobriu que a competição por manganês é um mecanismo bioprotetor primário, pois se trata de um mineral limitado e presente naturalmente no leite, essencial para o crescimento de bolores e leveduras. As cepas que compõem a cultura FreshQ® contêm um transportador específico que acumula manganês intracelular em concentrações elevadas, diminuindo o substrato disponível para o crescimento dos contaminantes e protegendo naturalmente o produto.

Os cultivos podem ser aplicados tanto em formulações sem adição de conservantes, como também em combinação com sorbato de potássio, protegendo os produtos durante o tempo de vida útil mesmo com as recentes mudanças na legislação para redução deste aditivo em preparados de fruta – fator que impacta diretamente na conservação dos lácteos fermentados frescos.

HA-LA BIOTEC

Produção trimestral da Novonesis

Autora: Natália Góes
Coordenação e Edição: Raquel Chiliz
Consultoria: Michael Mitsuo Saito e Lúcio Antunes
Editoração:
Cia da Concepção

As informações aqui fornecidas são apenas para fins de informação geral. Todas as informações são fornecidas de boa-fé. Nenhuma garantia está sendo estendida e nenhuma responsabilidade (incluindo, sem limitação, quaisquer danos diretos ou indiretos por lucros cessantes ou interrupção de negócios) é aceita quanto à sua precisão, integridade, exatidão, não violação, comercialização ou adequação a uma finalidade específica. O(s) produto(s) pode(m) estar coberto(s) por patentes pendentes ou emitidas, marcas, registradas ou não, ou direitos de propriedade intelectual similares.

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Edição 171

Produtos lácteos fermentados

Mudanças legislativas e seus impactos tecnológicos

Nos últimos anos, a indústria de alimentos no Brasil tem enfrentado atualizações regulatórias significativas que têm estabelecido diretrizes mais rigorosas para a padronização, qualidade e segurança de diversos produtos alimentícios. Entre elas, destacam-se as mudanças no Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ) para bebidas lácteas, conforme a Portaria SDA/MAPA 1.174 de 3 de setembro de 2024, que traz padronizações e novos parâmetros para composição de bebidas lácteas fermentadas e a Instrução Normativa (IN) 211 de 1 de março de 2023, que estabelece as funções tecnológicas, os limites máximos e as condições de uso para aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia autorizados para uso em alimentos.

A Portaria 1.174 introduz duas grandes mudanças para os produtores de bebidas lácteas fermentadas:

  1. Proibição da adição direta de sorbato de potássio na base láctea, permitindo seu uso apenas via preparado de frutas, conforme o princípio de transferência (Art. 10 da RDC 778 de 2023).
  2. Limitação da adição de amido a 1% (g/100g) no produto final, impactando diretamente aspectos tecnológicos do produto, como: viscosidade, estabilidade coloidal, comportamento ao escoamento e interações entre ingredientes.

A IN 211 tem o objetivo de definir limites máximos e condições de uso para aditivos, assegurando padrões modernos de qualidade e segurança alimentar. No entanto, a redução do teor permitido de conservantes em algumas categorias, como os preparados de frutas, impõe desafios à preservação microbiológica e à vida útil dos produtos, exigindo a adoção de alternativas tecnológicas eficazes.

Diferença de textura em uma bebida láctea

Análise reológica

Bebida láctea formulada com 1,50% de proteína e 1,0% de gordura com variação no teor de amido (Curva preta: 3% de amido | Curva azul, cinza e vermelha: 1% de amido)

Impacto tecnológico da limitação de amido

A bebida láctea fermentada é obtida pela mistura de leite e soro de leite, sendo fermentada por culturas de microrganismos específicos seguindo um processo produtivo similar ao iogurte. De acordo com a Portaria SDA/MAPA 1.174/2024, os constituintes lácteos da bebida láctea devem representar mais de 50% (m/m) da massa total dos ingredientes e o teor mínimo de proteína no produto final deve ser de 1% (g/100g). O baixo teor proteico aliado ao alto conteúdo de soro de leite compromete a estabilidade e a textura do produto.

A formação da estrutura de gel nos produtos lácteos fermentados depende basicamente do equilíbrio entre a caseína e as proteínas do soro, além da produção de exopolissacarídeos (EPS) por bactérias ácido-láticas durante a fermentação. A caseína, principal responsável pela formação do gel, é presente no produto na forma de micelas que interagem entre si e com as proteínas do soro desnaturadas, criando uma matriz proteica coesa.

Um tratamento térmico eficiente desnatura as proteínas do soro auxiliando sua interação com as micelas de caseína, melhorando a rede proteica.

Os exopolissacarídeos atuam como espessantes naturais, favorecendo a retenção de água e aprimorando a textura do produto. Sua ação é fundamental para complementar a matriz proteica, promovendo viscosidade adequada e experiência sensorial mais agradável. No entanto, a elevada presença de soro de leite em bebidas lácteas reduz a proporção entre caseína e proteínas do soro, o que dificulta a formação da matriz proteica e aumenta a predisposição à sinérese (separação do soro). Nesse contexto, torna-se essencial o uso de espessantes e/ou estabilizantes para auxiliar na formação e estabilidade da estrutura do gel lácteo.

Processo produtivo tradicional de uma bebida láctea

Desnaturação de proteínas do soro

A importância dos estabilizantes em bebidas lácteas fermentadas

A restrição de 1% de amido imposta pela Portaria SDA/MAPA 1.174/2024 representa um desafio tecnológico significativo, uma vez que o teor praticado pela indústria atualmente está entre 1,8% e 3% (g/100g). O amido é amplamente utilizado como estabilizante devido à sua capacidade de aumentar a viscosidade, reduzir a sinérese e conferir textura cremosa. Com essa limitação, fabricantes precisarão reformular os produtos desta categoria que possuam mais de 1% (g/100g) de amido. Além de otimizar a ação dos exopolissacarídeos (EPS), por meio de novas culturas, reformulações e/ou adequações de processo, os produtores também deverão fazer uso de tecnologias combinadas, como: gelatina, gomas, pectina ou, em casos mais extremos, aumentar o teor de proteína para manter as mesmas características reológicas e sensoriais do produto. Essas adaptações serão fundamentais para garantir a estabilidade e a aceitação, equilibrando custo, funcionalidade e conformidade regulatória.

Estabilizantes na formação da estrutura do gel lácteo

Viscosidade
Alguns ajustes serão necessários para garantir sempre uma textura consistente e uniforme.

Estabilidade coloidal
A redução do amido pode levar à separação de fases, exigindo melhorias no processo e na formulação.

Comportamento no escoamento
Alterações no fluxo do produto afetam o processamento e a experiência do consumidor.

Interações entre ingredientes
O amido influencia a relação entre componentes, afetando as propriedades sensoriais e reológicas.

Influência de estabilizantes no perfil sensorial e funcional

Amido
Espessante e estabilizador, dá cremosidade e reduz a sinérese.

Gelatina
Formação de estrutura de gel, melhorando corpo e estabilidade.

Gomas
Fibras solúveis que aumentam a viscosidade e a estabilidade.

Pectina
Fibra solúvel com po- der gelificante, estabilizante e espessante.

Adequação do sorbato em preparados de frutas

A adequação do teor de sorbato em preparados de frutas é um ponto crítico para a indústria de lácteos, especialmente na produção de iogurtes e bebidas lácteas fermentadas. O sorbato de potássio atua como conservante, retardando o crescimento de mofos e leveduras, contribuindo para a estabilidade microbiológica dos produtos. Com a IN 211, o limite de sorbato nos preparados de frutas utilizados em iogurtes e bebidas lácteas foi reduzido para 1500 ppm, enquanto o limite permitido no produto final continua sendo de 300 ppm, proveniente exclusivamente do preparado de frutas.

A nova RTIQ de bebidas lácteas também começa a utilizar o princípio de transferência, não sendo mais permitida a adição direta de sorbato de potássio no produto. No entanto, para se atingir 300 ppm no produto final, seria necessário utilizar aproximadamente 20% de preparado de frutas na formulação, um percentual inviável para a maioria das indústrias devido às limitações operacionais e à complexidade do processo produtivo. Atualmente, a inclusão típica de 2% a 5% de preparado de frutas resulta em concentrações de sorbato entre 30 e 75 ppm, enquanto o USDA (2002) recomenda um mínimo de 100 ppm para garantir efeito conservante adequado.

A redução do teor de sorbato nos preparados impõe desafios à conservação microbiológica dos produtos, exigindo alternativas como o aumento da inclusão de preparado de frutas, adoção de tecnologias de processamento mais eficazes, uso de embalagens com barreiras aprimoradas ou conservantes naturais. Entre essas soluções, a bioproteção por meio de culturas fermentativas específicas, como a linha FreshQ® da Novonesis, torna-se uma opção viável, rápida e eficiente para inibir microrganismos indesejados, preservando a qualidade sensorial e a segurança dos produtos lácteos.

Bioproteção por meio de culturas fermentativas específicas

Incluir FreshQ® na fermentação reduz a necessidade do uso de ingredientes artificiais indesejados

Iogurte fermentado com ou sem adição de FreshQ® (leite 100U/T) e sorbato, com adição de P. carneum ou P. roqueforti (500 esporos) e armazenado a 7°C por 30 dias

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Mais informações sobre bioproteção estão nas edições 137 e 156 do Ha-La Biotec, disponíveis neste site ou com nossas equipes comercial e técnica.

HA-LA BIOTEC

Produção trimestral da Novonesis

Autor: Luan Rodrigo Marciano
Coordenação e Edição: Raquel Chiliz
Consultoria: Michael M. Saito e Lúcio A. F. Antunes
Editoração: Cia da Concepção

DISTRIBUIDORES AUTORIZADOS

Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul: LC Bolonha Ingredientes Alimentícios Ltda. Tel. (41) 3139-4455 (bolonha@lcbolonha.com.br). Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro: Produtos Macalé. Tel. (32) 3224-3035 (macale@macale.com). Goiás, Tocantins, Distrito Federal, Mato Grosso, Rondônia e Pará: Clamalu Comércio e Representações Ltda. Tel. (62) 3605-6565 (romulo@clamalu.com.br e j.clareth@clamalu.com.br). Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe: Latec NE Ingredientes. Tel. (82) 98787-6564 (atendimentone@latecingredientes.com.br) São Paulo, Amazonas, Roraima, Acre: Latec Ingredientes. Tel. (15) 3202-1017 e (15) 98180-0002 (atendimento@latecingredientes.com.br).

Este informativo é uma comunicação entre empresas sobre ingredientes destinados a bens de consumo. Não se destina a consumidores de bens de consumo final. As declarações aqui contidas não são avaliadas pelas autoridades locais. Quaisquer afirmações feitas em relação a consumidores são de exclusiva responsabilidade do comerciante do produto final. O comerciante deve conduzir suas próprias investigações legais e de adequação para garantir que todos os requisitos nacionais sejam seguidos.

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Edição 170

Parte 2

Defeitos mais comuns em queijos

Analisar os principais defeitos em queijos fatiados é essencial para a indústria de lácteos, especialmente devido ao crescimento significativo deste formato de consumo no mercado brasileiro – único a registrar aumento no volume de vendas nos últimos anos, com uma taxa de crescimento anual de 3%1 –, impulsionado principalmente pela demanda por Muçarela. Nesta edição, serão abordados os principais defeitos encontrados em queijos fatiados, com ênfase nos impactos sobre a produtividade e no comprometimento das características visuais e estruturais do produto final.

Principais defeitos relacionados à produtividade

No processo de produção dos queijos fatiados dois dos principais desafios são: o excesso de peso nas fatias e a falta de casca nos queijos. Esses fatores afetam diretamente a eficiência da produção, a rentabilidade e a qualidade do produto. A maciez excessiva do queijo, resultante da alteração em sua textura, é um dos principais fatores que dificultam o fatiamento preciso, aumentando a probabilidade de variações no peso das fatias e, consequentemente, o risco de sobrepeso. Esse problema impacta diretamente os processos produtivos, gerando desperdícios, retrabalho e aumento de custos, além de expor a empresa a riscos legais e comerciais, conforme os limites estabelecidos pela Portaria 248/2008 do INMETRO. O descumprimento dessas normas pode acarretar autuações, multas e danos à reputação da marca, enquanto o fornecimento de fatias acima do peso declarado reduz a margem de lucro e compromete a competitividade.

O processo de proteólise, especialmente a primária, desempenha um papel crucial nesse contexto. Durante a estabilização/maturação do queijo, ocorre a hidrólise das caseínas, particularmente das αs1 e β-caseínas, resultando na formação de peptídeos de alto peso molecular. A αs1-caseína é a fração mais suscetível à clivagem inicial e possui papel determinante na definição da textura do queijo, sendo frequentemente associada à firmeza da matriz proteica. Sua hidrólise precoce pode contribuir para uma textura mais macia mesmo em queijos mais jovens, facilitando o fatiamento antecipado. No entanto, essa aceleração do amaciamento tem um custo: processos mais rápidos de degradação podem comprometer a estabilidade da textura a longo prazo, encurtando a vida de prateleira e aumentando o risco de defeitos estruturais no produto final. Esse processo é influenciado pelas proteases naturais do leite e pela enzima coagulante utilizada. A escolha do coagulante é determinante na extensão da proteólise primária. Coagulantes com baixo índice C/P (relação entre a capacidade coagulante e a atividade proteolítica) possuem elevada atividade proteolítica, promovendo uma degradação mais intensa das proteínas durante a estabilização/maturação. Como resultado, o queijo adquire uma textura excessivamente macia e perde sua geometria original. Para minimizar a proteólise excessiva e manter a firmeza adequada do queijo, recomenda-se a utilização de coagulantes com elevado índice C/P, facilitando o fatiamento preciso e reduzindo o risco de variações no peso das fatias.

O gráfico abaixo evidencia que a amostra elaborada com o coagulante CHY-MAX® Supreme (índice C/P = 80) apresentou uma menor variabilidade no peso das fatias em comparação à amostra produzida com quimosina de primeira geração (índice C/P = 20). Essa conclusão é reforçada pela análise do coeficiente de variação (C.V.), uma métrica estatística que avalia o grau de dispersão dos dados em relação à média. Quanto menor o coeficiente de variação, maior é a uniformidade entre as amostras analisadas.

Peso de fatias de duas amostras de Muçarela

Os resultados demonstram que CHY-MAX® Supreme alcançou um coeficiente de variação de apenas 0,67, enquanto a quimosina de primeira geração apresentou um valor significativamente mais elevado, de 1,11. Em termos práticos, isso significa que o uso do CHY-MAX® Supreme proporciona fatias de queijo com pesos mais homogêneos, com uma variação aproximadamente 40% menor em comparação ao coagulante tradicional. Esses resultados evidenciam que CHY-MAX® Supreme é a escolha ideal para produtores que buscam padronização no peso das fatias, contribuindo diretamente para a consistência do produto final e para a redução de desperdícios, resultando em ganhos de eficiência e qualidade na produção.

A ausência de casca nos queijos aumenta a aderência da superfície úmida às lâminas de corte, elevando o atrito e dificultando o deslizamento durante o fatiamento. Esse efeito prejudica a obtenção de fatias uniformes e gera perda de fragmentos, chamados de “finos”, especialmente em cortes mais estreitos, devido à maior deformação e quebra das bordas, exigindo ajustes na velocidade de corte. Por isso, a formação da casca é essencial para garantir a estrutura do queijo destinado ao fatiamento. A lixiviação é um fenômeno físico-químico caracterizado pela remoção de substâncias solúveis de um sólido em contato com um líquido, sendo uma das principais causas da ausência de casca em queijos. Isso ocorre quando o cálcio da superfície migra para a salmoura devido ao desequilíbrio osmótico, enfraquecendo a matriz proteica e dificultando a formação da casca. Esse processo é mais intenso em salmouras novas, desprovidas de cálcio dissolvido, o que potencializa a perda de cálcio do queijo para a solução. A lixiviação excessiva de cálcio pode predispor o queijo à peptização, fenômeno em que as caseínas da superfície se tornam mais solúveis devido à perda de cálcio ligado, aumentando a capacidade de absorção de água e resultando em uma textura amolecida e gelatinosa.

Nos processos contínuos (hidrovias), surge a dúvida: se os primeiros queijos cedem cálcio à salmoura, não deveria haver um equilíbrio que impedisse a lixiviação nos queijos subsequentes? A resposta está no fato de que o cálcio liberado pelos queijos geralmente precipita em forma de sais insolúveis, como fosfato de cálcio (Ca3(PO4)2) ou carbonato de cálcio (CaCO3). Como esse cálcio não permanece na forma solúvel, ele não contribui para o equilíbrio iônico necessário para preservar a estrutura da superfície dos queijos. Dessa forma, o uso contínuo da salmoura sem a reposição adequada de cálcio mantém o gradiente de concentração, intensificando a lixiviação e prejudicando a formação da casca nos queijos subsequentes. Para evitar esse problema, além de adicionar cloreto de cálcio (CaCl2) em salmouras novas, é essencial monitorar regularmente o teor de cálcio solúvel em salmouras de uso contínuo. Recomenda-se realizar reposições semanais utilizando uma solução de cloreto de cálcio a 0,10% para manter o equilíbrio necessário.

Vale destacar que o processo de filtração da salmoura, seja por ultrafiltração (UF) ou microfiltração (MF), remove apenas o cálcio insolúvel cedido pelos queijos, sem afetar o cálcio na forma iônica. Dessa forma, esses processos não interferem no equilíbrio iônico da salmoura, contribuindo para a manutenção das condições ideais para a formação da casca, sem comprometer o teor de cálcio necessário para o equilíbrio osmótico durante a salga.

Além da qualidade do queijo, a escolha dos equipamentos de fatiamento exerce um papel significativo na obtenção de cortes consistentes e padronizados. Máquinas bem projetadas, com lâminas afiadas e sistemas de ajuste precisos contribuem para um corte uniforme, minimizando a variação de peso entre as fatias e reduzindo a formação de finos. No entanto, o desempenho desses equipamentos depende, em grande parte, das características do queijo, em especial da textura. A combinação de um queijo com estrutura otimizada, geometria perfeita e equipamentos eficientes maximiza o rendimento, reduz desperdícios e assegura a conformidade com os padrões regulatórios, fortalecendo a competitividade da indústria no mercado.

Produto final com defeitos

Trincas

As trincas em queijos fatiados não apenas comprometem o aspecto visual do produto, mas também dificultam seu manuseio e utilização. Esse defeito está diretamente relacionado ao equilíbrio entre a relação molar do cálcio e o fósforo presentes na matriz proteica do queijo, podendo ser causado tanto por uma deficiência quanto pelo excesso de solubilização do cálcio. O fosfato de cálcio coloidal formado a partir dessa relação é um composto que atua como agente estabilizador das micelas de caseína, sendo essencial para garantir a estabilidade estrutural e a qualidade no processo de fatiamento. A matriz proteica do queijo é formada principalmente por micelas de caseína, cuja integridade estrutural depende da ligação entre as proteínas e o fosfato de cálcio. Quando há um excesso de cálcio na forma insolúvel, ocorre uma reticulação excessiva das micelas, resultando em uma estrutura rígida e quebradiça. Essa rigidez reduz a flexibilidade da rede proteica, tornando as fatias mais suscetíveis a trincas. Esse defeito é mais frequente em “queijos jovens”, que possuem maior teor de cálcio não solubilizado, contribuindo também para o desprendimento de pequenos fragmentos de queijo durante o fatiamento.

Por outro lado, uma acidificação excessiva, caracterizada pela queda acentuada do pH durante as etapas de fabricação, promove a dissolução em excesso do fosfato de cálcio, removendo parte do cálcio estrutural das micelas de caseína. Como resultado, a rede proteica perde coesão tornando-se instável e menos elástica, o que também favorece a formação de trincas. Esse desequilíbrio prejudica a integridade das fatias, aumentando o risco de rupturas durante o fatiamento. Portanto, o controle adequado do equilíbrio fosfato de cálcio é essencial para garantir a estabilidade estrutural do queijo, minimizando a ocorrência de trincas e otimizando o rendimento no fatiamento.

Desequilíbrio na relação molar entre cálcio e fósforo

Deficiência na solubilização de cálcio

Queijo ainda jovem para suportar o processo de fatiamento. Nos primeiros dias, ocorre a solubilização do fosfato de cálcio, crucial para a formação de uma rede proteica coesa que permite o fatiamento perfeito do queijo minimizando perdas.

Excesso na solubilização de cálcio

A rede de proteínas enfraquecida não consegue se manter coesa, levando ao desenvolvimento de uma textura frágil e à formação de trincas durante o fatiamento.

Adesividade

Adesividade em queijos fatiados refere-se à tendência do queijo aderir às superfícies de corte e às próprias fatias, causando transtornos aos consumidores. Esse fenômeno é influenciado pela proteólise, reação determinante para a alteração da textura dos queijos, tornando-os mais pastosos e, consequentemente, aumentando sua adesividade. Podemos identificar quatro agentes proteolíticos principais:

Enzimas do coagulante – A proteólise induzida pela quimosina durante a maturação afeta significativamente a textura do queijo, conforme mencionado anteriormente.

Proteases endógenas do leite – A plasmina é a principal enzima proteolítica endógena do leite e desempenha um papel decisivo na hidrólise da caseína durante a maturação do queijo, influenciando diretamente na adesividade de queijos fatiados. A atividade da plasmina resulta na degradação da caseína, especialmente da β-caseína e da αs2-caseína, levando à formação de peptídeos menores que alteram a estrutura do queijo. Sua concentração aumenta quando o leite tem origem de vacas com mastites, o que indica alta contagem de células somáticas. O plasminogênio é o seu precursor quatro vezes mais abundante, ambos relacionados com a micela da caseína. Esse fato é de grande importância, pois uma vez que o plasminogênio é convertido em plasmina, agirá sobre a proteína do leite, hidrolisando as caseínas.

Proteases e peptidases do cultivo adicionado – As bactérias do fermento lácteo são fundamentais na fabricação de queijos, tanto pela produção rápida de ácido lático, que reduz o pH, quanto pela liberação de enzimas proteolíticas. Essas enzimas degradam as caseínas em peptídeos menores, influenciando a textura e o sabor do queijo. A escolha de culturas bacterianas, como Streptococcus thermophilus (frequentemente utilizado na fabricação de Muçarela e queijo Prato), é essencial para controlar a proteólise e, consequentemente, a textura e adesividade dos queijos, devido à sua baixa atividade proteolítica. É importante destacar que a utilização de microrganismos como Lactobacillus helveticus, contribui significativamente para o desenvolvimento do sabor nos queijos. No entanto, seu uso tornou-se menos comum ou passou a ocorrer em concentrações reduzidas devido à sua elevada capacidade proteolítica. Algumas poucas bactérias produzem polissacarídeos capsulares (CPS) que ajudam a reter água no queijo sem amolecê-lo. Assim, o uso de culturas bacterianas produtoras de CPS melhora a textura, o rendimento e a experiência do consumidor ao manusear e consumir queijos fatiados. Bactérias com essa capacidade são extremamente raras, mas a Novonesis possui essas cepas em alguns de seus cultivos, especificamente indicados para a fabricação de Muçarela e queijo Prato, com principal finalidade de unir rendimento e fatiabilidade.

Enzimas liberadas por NSLAB – As NSLAB são conhecidas por sua capacidade de crescer durante a maturação do queijo e produzir enzimas proteolíticas. Essas enzimas contribuem para a degradação das proteínas do queijo, aumentando a liberação de peptídeos e aminoácidos livres, o que pode afetar a textura e a adesividade das fatias.

Além dos agentes proteolíticos, alguns fatores catalisadores influenciam a proteólise, como: a composição do queijo (UMD e sal na umidade) e a temperatura de estocagem/estabilização, que afeta a atividade enzimática e, portanto, a taxa de proteólise.

Controle da proteólise primária e secundária

Composição do queijo

  • UMD
  • % SU (sal na umidade do queijo)

Tempo e temperatura

  • Temperatura do queijo no momento da embalagem
  • Temperatura de estabilização
  • Temperatura interna do queijo no momento do fatiamento

Ingredientes

  • Cepas produtoras de CPS
  • Índice C/P do coagulante

O gráfico abaixo demonstra que a proteólise secundária do queijo Prato produzido com o cultivo DVS® BALANCE™ Max foi aproximadamente 25% menor em relação ao cultivo de linha, utilizando leite do mesmo silo. Estes resultados indicam que o DVS® BALANCE™ Max promove maior estabilidade estrutural, otimizando a eficiência no processo de fatiamento.

Proteólise secundária em queijo Prato

Índice de profundidade de proteólise

Para monitorar as ações das enzimas do fermento e de todas aquelas provenientes de contaminação, utiliza-se o índice de profundidade de proteólise. Este índice está relacionado principalmente com a atividade das endo e exoenzimas do cultivo empregado na fabricação do queijo, bem como das NSLAB.

Cristais de Lactato de Cálcio (CLC)

Os cristais de lactato de cálcio são um fenômeno que pode ocorrer em queijos, especialmente nos fatiados e acondicionados em bandejas de atmosfera modificada (ATM). Esses cristais se formam a partir do lactato, um subproduto da fermentação da lactose pelas bactérias lácticas. A formação de CLC pode ser influenciada por vários fatores, incluindo o pH do queijo, a concentração de cálcio e a atividade das bactérias lácticas. As bactérias desempenham o principal papel nesse processo. O lactato formado pode apresentar-se nas formas isoméricas L ou D, dependendo de sua conformação química espacial que, por sua vez, é determinada pelo metabolismo do microrganismo. O D-lactato de cálcio é menos solúvel que o L-lactato de cálcio. Durante a maturação dos queijos, ocorre uma elevação do D-lactato. NSLAB, como Lactobacilli, Pediococci e Leuconostoc, são capazes de formar mais D-lactato e de converter o L-lactato em D-lactato, devido à presença de racemases. Populações elevadas de NSLAB, com índices superiores a 104/g, são suficientes para induzir um aumento significativo no D-lactato, contribuindo para a formação de CLC. A presença de CLC em queijos é frequentemente negligenciada pela indústria, principalmente porque as reclamações dos consumidores geralmente descrevem esses cristais como mofo branco.

Formação de cristais de lactato de cálcio

  • Baixa atividade do fermento: Maior resíduo de lactose, proporciona mais substrato para NSLAB formar o D-lactato. NSLAB será sempre a principal fonte do defeito.
  • Fatiamento de queijos com altas contagens de NSLAB, seguido da utilização do equipamento sem a devida limpeza por CIP (Clean-in-Place) ou COP (Clean-out-of-Place): Pode resultar no carreamento de bactérias, comprometendo a qualidade microbiológica dos lotes subsequentes e aumentando o risco de contaminação cruzada.
  • Exposição das fatias no setor de fatiamento: Muitas vezes, um queijo não apresenta problemas visíveis, mesmo com a presença de D-lactato. No entanto, quando o queijo é fatiado e exposto à temperatura ambiente por alguns minutos, ocorre uma leve desidratação superficial, suficiente para saturar o lactato levando à formação de cristais.
  • Propensão à formação de cristais em queijos fatiados em ATM: Quando o queijo é fatiado e acondicionado em ATM, o CO2 da mistura de gases pode reagir com a água livre no queijo (principalmente queijos com dessoramento), formando ácido carbônico (H2CO3). Este ácido se dissocia em íons de hidrogênio (H+) e bicarbonato (HCO3–). Os íons de hidrogênio podem reagir com os íons de cálcio (Ca2+) do queijo, formando carbonato de cálcio (CaCO3). Posteriormente, o lactato produzido pela fermentação da lactose pode interagir com o cálcio, resultando na formação de CLC.

Dessoramento

O dessoramento é um fenômeno comum em queijos acondicionados em bandejas de ATM. Podemos identificar dois momentos distintos de dessoramento em queijos embalados na bandeja, um relacionado à umidade superficial, semelhante à condensação, e outro à exsudação do soro, correlacionado com a solvatação da caseína. A umidade superficial ou “suor” é resultado da saída da umidade intersticial, água presente nos espaços entre as micelas de caseína. Quando há uma diferença de temperatura entre o interior e o exterior da embalagem, essa umidade pode migrar para a superfície do queijo, onde se condensa e forma gotículas. Esse processo é mais comum em queijos fatiados antes do período de estabilização e pode ser exacerbado por flutuações de temperatura em gôndolas de supermercado.

Quando um queijo Muçarela envelhece em bandeja de ATM e começa a dessorar, esse processo pode ser associado à solvatação da caseína e à diminuição do pH causada por bactérias acidificantes. Solvatação refere-se à capacidade de micelas de caseína interagir com moléculas de água, formando uma camada de hidratação essencial para a estabilidade da matriz proteica. Algumas cepas de NSLAB, com elevada capacidade de produção de ácido lático e redução de pH, podem ser responsáveis pela perda na solvatação. Isso pode levar a uma maior liberação de umidade, especialmente durante a maturação, quando a estrutura da caseína é menos eficiente em reter água.

Outro mecanismo capaz de alterar a solvatação das caseínas é a alta proporção de CO2 na bandeja. Esse gás possui efeito bacteriostático, inibindo o crescimento de bactérias deteriorantes aeróbicas e prolongando a vida útil do queijo, o que explica o interesse das indústrias em aumentar sua concentração. No entanto, essa prática pode trazer prejuízos, pois, ao se dissolver na umidade do queijo, o CO2 forma ácido carbônico (H3CO2), que reduz o pH do produto. Esse processo está relacionado ao conceito de pKa (força de um ácido), que representa o valor de pH no qual o ácido está 50% dissociado em seus íons. Quando o pH do queijo se aproxima do pKa do ácido carbônico, há maior liberação de íons H+, intensificando a acidificação da matriz proteica. Como consequência, a solvatação das micelas de caseína é afetada, resultando em dessoramento.

Solvatação e variação de pH

Solvatação da caseína e defeitos em queijos

Queijos com elevada pós-acidificação tendem a apresentar:

  • pH muito baixo
  • Pouca ou nenhuma elasticidade
  • Textura quebradiça
  • Sabor extremamente ácido
  • Dessoramento.

Efeito do pH na solvatação da caseína a 20°C (Snoeren et. al, 1984)

Dessoramento por saída da água intersticial

Dessoramento por solvatação das caseínas

Estufamento da bandeja

Sabe-se que a relação mais comum para estufamento de queijos Muçarela e Prato em bandejas de ATM é a presença de bactérias do grupo NSLAB, especialmente as bactérias heterofermentadoras de citrato. Uma outra possível causa de estufamento na bandeja é a descarboxilação de aminoácidos. Durante o processo de maturação e/ou estabilização do queijo, a caseína é degradada em peptídeos e aminoácidos pelas enzimas proteolíticas das bactérias e coagulantes. Aminoácidos livres são substratos para uma série de reações catabólicas que geram muitos compostos de sabor importantes. Alguns aminoácidos, como o glutamato, podem sofrer descarboxilação para produzir ácido γ-aminobutírico e uma quantidade bastante alta de CO2 pela ação da enzima glutamato descarboxilase, que pode ser ativada em condições ácidas e anaeróbicas – como no queijo – promovendo o “inchaço” da bandeja.

Algumas bactérias, como Streptococcus thermophilus e Lactococcus subsp., possuem um sistema enzimático de glutamato descarboxilase que pode ser ativado em condições específicas, como pH baixo e ambientes anaeróbicos, comum na tecnologia de atmosfera modificada (ATM), que cria um ambiente anaeróbico dentro da embalagem ao remover quase todo o oxigênio e substituí-lo por outros gases, como nitrogênio e dióxido de carbono. É crucial garantir que cultivos utilizados na elaboração de queijos não contenham esse sistema descarboxilase. As cepas de cultivos da Novonesis são isentas desse complexo, assegurando a qualidade e segurança dos produtos.

1 Kantar, 2023

HA-LA BIOTEC

Produção trimestral da Novonesis

Coordenação e edição: Raquel Chiliz
Consultoria e redação técnica: Tiago Silva, Michael M. Saito e Lúcio A. F. Antunes
Editoração: Cia da Concepção

DISTRIBUIDORES AUTORIZADOS

Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul: LC Bolonha Ingredientes Alimentícios Ltda. Tel. (41) 3139-4455 (bolonha@lcbolonha.com.br). Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro: Produtos Macalé. Tel. (32) 3224-3035 (macale@macale.com). Goiás, Tocantins, Distrito Federal, Mato Grosso, Rondônia e Pará: Clamalu Comércio e Representações Ltda. Tel. (62) 3605-6565 (romulo@clamalu.com.br e j.clareth@clamalu.com.br). Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe: Latec NE Ingredientes. Tel. (82) 98787-6564 (atendimentone@latecingredientes.com.br) São Paulo, Amazonas, Roraima, Acre: Latec Ingredientes. Tel. (15) 3202-1017 e (15) 98180-0002 (atendimento@latecingredientes.com.br).

Este informativo é uma comunicação entre empresas sobre ingredientes destinados a bens de consumo. Não se destina a consumidores de bens de consumo final. As declarações aqui contidas não são avaliadas pelas autoridades locais. Quaisquer afirmações feitas em relação a consumidores são de exclusiva responsabilidade do comerciante do produto final. O comerciante deve conduzir suas próprias investigações legais e de adequação para garantir que todos os requisitos nacionais sejam seguidos.

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Edição 169

Parte 1

Defeitos mais comuns em queijos

O estudo das causas de defeitos em queijos combina experiência prática e conhecimento científico para identificar e solucionar os problemas. Alguns defeitos podem afetar a qualidade do produto, a rentabilidade do processo e a aceitação por parte do consumidor. Entre os defeitos mais comuns, podemos destacar a acidificação e a formação de gás.

Acidificação

A produção controlada de ácido láctico a partir da lactose por bactérias do ácido láctico é uma etapa vital durante a fabricação de praticamente todas as variedades de queijos. A acidificação é a etapa mais importante na qualidade e padronização do queijo e tem papel crucial em vários processos, como: controle e prevenção do crescimento de microrganismos deteriorantes e patogênicos; impacto na velocidade de desmineralização da coalhada; promoção da sinérese, contribuindo na composição do queijo, especialmente no teor de umidade; impacto na proteólise – quanto mais elevado o pH no queijo mais rápida é a sua maturação; e maior retenção da enzima coagulante quanto menor for o pH, acelerando a proteólise, em especial para coagulantes com baixo índice C/P. Para solucionar um defeito decorrente da acidificação, é essencial identificar sua origem. Normalmente, pode estar relacionada à qualidade do leite, presença de resíduos antibióticos, altas contagens de NSLAB, ataque de bacteriófagos, falhas durante o processo de fabricação, limpeza sanitária (resíduos de detergentes e/ou sanitizantes), temperatura e intervalo de CIP (presença de biofilmes).

Diagnóstico de falhas no processo de acidificação

A acidificação do queijo pode ser dividida em quatro etapas. Os principais aspectos a serem examinados na identificação de falhas durante esse processo são: a presença de inibidores no leite, fermento fora das condições de armazenamento recomendadas e seu fracionamento inadequado, que ocorrem na etapa 1 (ver gráfico acima).

Durante a etapa dois, período entre a faixa de pH 6,3 e 6,1, pode ocorrer um atraso principalmente quando utilizado o microrganismo Streptococcus thermophilus, o que pode indicar alta concentração de ureia ou nível significativo de oxigênio dissolvido no leite. Na etapa três, entre a faixa de pH de 6,1 a 5,5, a razão mais provável para atraso é ataque de bacteriófagos e/ou falhas no processo de fabricação do queijo.

Ao final da cinética de acidificação, na quarta etapa, um problema muito comum é a pós acidificação e as razões mais prováveis são o desequilíbrio entre as cepas, elevadas contagens de NSLAB, longos intervalos de limpeza CIP do pasteurizador ou excesso de soro dentro dos grãos.

Estufamento por formação de gás

O desenvolvimento de gás durante a maturação é evidente pela presença de olhaduras, rachaduras ou gás dentro da embalagem. O gás produzido no queijo pode ocorrer nos primeiros dias de maturação (estufamento precoce) ou nos últimos estágios de maturação (estufamento tardio).

Excesso de espuma

Exemplo de leite com excesso de espuma, podendo prejudicar a curva de acidificação. Streptococcus thermophilus é um microrganismo microaero- fílico podendo ser sensível à presença de O2. A espuma pode aumentar as perdas de “finos”, pequenas partículas de coalhada que se perdem no soro.

Muçarela ideal

Exemplo de uma massa de muçarela com excelente cinética de acidificação (sem ataque fágico) e com desmineralização ideal. O processo de desmineralização da muçarela é determinante para atender às propriedades funcionais, em especial, ao fatiamento. A muçarela para fatiamento necessita apresentar 2,4 a 2,7% de Ca/ESD no momento da filagem.

Estufamento precoce

O gás produzido logo após a fabricação e responsável por criar vários pequenos “buracos” no queijo é geralmente causado pelo crescimento de bactérias do grupo coliformes ou leveduras. O estufamento por coliformes é a principal e mais danosa causa de estufamento precoce em queijos. Para que ele ocorra é necessário um foco de contaminação com um número mínimo de coliformes no leite. Estudos indicam que acima de 300 UFC/ml de leite já seria suficiente para causar danos, principalmente se ocorrer alguma falha na acidificação (curva de pH lenta), disponibilizando mais lactose para a fermentação.

Um parâmetro muito eficaz para combater o estufamento precoce é a velocidade com que o cultivo acidifica até pH 6,0, sendo este um limite prático muito importante de prevenção deste defeito.

Algumas espécies de leveduras podem fermentar lactose e lactato para produzirem CO2. Normalmente, podemos identificá-las quando pequenas olhaduras são acompanhadas por outras maiores. Formas de combate podem incluir boas práticas de fabricação (BPF) e, principalmente, uma cinética de acidificação capaz de consumir rapidamente a lactose.

Estufamento tardio

O estufamento tardio é outro defeito grave e comum na produção de queijos, afetando principalmente os de longa maturação, em especial àqueles que passam por um período em câmaras “quentes” e são feitos com leite de gado alimentado com silagem de qualidade inferior. Quando a silagem não é fermentada adequadamente, a quantidade de esporos aumenta consideravelmente. A principal causa do estufamento tardio é a presença de bactérias do grupo Clostridium, que fermentam lactato em ácido acético, ácido butírico, CO2 e H2.

Características da fermentação butírica

As características dos queijos com fermentação butírica são odor forte e butírico, lembrando à rancidez; sabor intenso e levemente rançoso, podendo apresentar notas adocicadas, textura com presença de crateras, trincas e/ou rachaduras, além de olhaduras irregulares. Em alguns casos, as olhaduras podem ser semelhantes às causadas por bactérias propiônicas.

Na prática é comum encontrar fermentações butíricas menos pronunciadas, não identificadas com clareza. Nesses casos, os resultados visuais e sensoriais devem ser confirmados por análise laboratorial. Quando o problema se apresenta após aproximadamente 60 dias, não é possível identificar a presença de Clostridium na sua forma vegetativa. No entanto, este microrganismo deixa seu “rastro”, permitindo a identificação via perfil de fermentação (PF), quantificando o ácido butírico. Algumas características dos defeitos em queijos com Clostridium incluem, liberação de ácido butírico (C4) no processo de lipólise – principal indicador da fermentação butírica –, e nível de ácido butírico geralmente superior a 400 mg de C4 por quilograma de queijo. É importante não definir este defeito apenas pelas manifestações visíveis, como estufamentos, pois sua origem pode ser ambígua.

O perfil de fermentação possibilita a avaliação da natureza da fermentação em queijos com tempos de maturação variados. Contudo, cada tipo de queijo apresenta um perfil de fermentação específico, que varia conforme o tipo de cultivo utilizado e o período de maturação.

A técnica mais eficaz no combate desses defeitos é a produção com leite de vacas que não sejam alimen- tadas com silagem ou, se forem, com silagem bem fermentada e uma rigorosa higiene na ordenha. No entanto, esses métodos são difíceis de implementar. Veja no quadro a seguir outros métodos de prevenção.

Avaliação do perfil de fermentação de queijos suscetíveis à contaminação por Clostridium

Queijos com adição de Propionibacterium freudenreichii

Utiliza-se a seguinte regra de decisão: PF = C3/(C3+C4) x 100 (PF = Índice de perfil fermentativo C3 = Ácido propiônico C4 = Ácido butírico)

Se 0,5 < PF < 0,9 = fermentação intermediária propio-butírica

Se PF > 0,9 = fermentação propiônica

Se PF = < 0,5 = fermentação butírica

Queijos duros: PF > 2000mg/kg = fermentação butírica

Queijos semiduros (alta lipólise): C4 / C6 ≥ 4 = fermentação butírica

Queijos contaminados por fermentadores de citrato

Outros microrganismos que causam defeitos são os Lactococcus positivos para citrato ou Leuconostoc spp. que podem produzir CO2. Este grupo tem apresentado problema recorrente nas fábricas, afetando tanto peças inteiras quanto bandejas fatiadas em atmosfera modificada (ATM). O defeito é evidenciado quando a contagem de fermentadores de citratos excede 105 UFC/g e a cinética de acidificação é lenta, associada à presença de bacteriófagos (a partir de 103 UFC/g, alguma olhadura pode ser observada no queijo). Observa-se um desenvolvimento excessivo de olhaduras que, em alguns casos, podem formar crateras e/ou rachaduras no interior dos queijos, confundindo-se com contaminação por Clostridium. As olhaduras são desprovidas de umidade, lisas e brilhantes. Na maioria dos casos, o sabor não sofre alterações significativas. Mas, quando ocorre, pode-se observar um sabor tendendo ao adocicado.

Para a detecção desses microrganismos, pode-se utilizar o meio de cultura ágar Leesment enriquecido com componentes como citrato de cálcio e carboximetilcelulose, empregados como substratos, favorecendo o crescimento desse grupo de bactérias. A prevenção envolve a implementação de CIP intermediário no pasteurizador com intervalo máximo de 8 horas – podendo variar em função da qualidade inicial da matéria prima –, bactofugação ou degerminação do leite, resfriamento rápido do queijo, manutenção de ótima cinética de acidificação e, no caso de queijos muçarela e prato, um teor de sal na umidade superior a 2,5%. Recomenda-se também a utilização de cultura protetora como, por exemplo, a linha BioSafe™ de cultivos bioprotetores da Novonesis.

Além dos Lactococcus, os Streptococcus thermophilus são capazes de formar biofilmes na parte de regeneração dos trocadores de calor, também podendo ser responsáveis pela produção de CO2 no queijo. Sua presença pode estar associada à concentração elevada de ureia no leite, principalmente se o cultivo for urease (+), cepas capazes de metabolizar a ureia e que possuem cinética de acidificação mais lenta que cepas urease (-). O nível de ureia pode estar sujeito a variações, dependendo do equilíbrio da dieta (ração). A principal estratégia para combater este problema é a realização de limpeza CIP eficiente. Lactobacilos tolerantes ao sal também podem ser associados à produção de CO2 e sabores estranhos. Podem estar relacionados com salmouras “velhas”, baixa concentração de sal e temperaturas elevadas.

Exemplos de queijos contaminados por fermentadores de citrato

Queijo Prato com contagem de fermentadores de citratos de 1,9 x 106

Minas Frescal com contagens de fer- mentadores de citrato de 4,3 x 108

Muçarela com contagens de fermentadores de citrato de acima de 106

HA-LA BIOTEC

Produção trimestral da Novonesis

Coordenação e edição: Raquel Chiliz
Consultoria e redação técnica: Tiago Silva, Michael M. Saito e Lúcio A. F. Antunes
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Edição 168

MilkSafe™

Aprimorando a segurança e a qualidade do leite e seus derivados

A segurança dos alimentos é uma preocupação crescente em todo o mundo, especialmente em setores como a indústria de laticínios, onde a qualidade do produto final depende diretamente das condições de produção. Um dos maiores desafios enfrentados por produtores e reguladores é a presença de resíduos de antibióticos no leite. Esses resíduos podem resultar, por exemplo, da administração de medicamentos a vacas leiteiras para tratar infecções, como a mastite, uma condição comum nos rebanhos. A detecção de antibióticos no leite é crucial não apenas para proteger a saúde pública, como também para garantir a conformidade com os regulamentos rigorosos que governam a produção de alimentos e também atender às necessidades tecnológicas da produção de alguns derivados lácteos, como queijos e iogurtes, que têm na fermentação um dos principais pontos do processo.

Detecção de antibióticos no leite: protegendo a saúde pública

O consumo de leite contaminado com antibióticos representa um risco significativo para a saúde pública, pois pode levar ao desenvolvimento de resistência antimicrobiana, comprometendo a eficácia de tratamentos essenciais para infecções. A presença de resíduos de antibióticos no leite também pode desencadear reações alérgicas em consumidores sensíveis, aumentando o risco de problemas de saúde graves. Garantir que o leite esteja livre de antibióticos é, portanto, uma questão fundamental para proteger a saúde da população, assegurando que produtos lácteos sejam seguros para o consumo e cumpram com os rigorosos padrões de segurança alimentar.

Antimicrobianos de importância médica

Usados em tratamentos humanos e animais

Fonte: Critically important antimicrobials for human medicine, 6th revision. Geneva: World Health Organization; 2019.

Tecnologias avançadas para detecção de antibióticos no leite

A segurança do leite depende de métodos precisos e eficientes para detectar a presença de antibióticos, e a linha MilkSafe™ comercializada pela Novonesis oferece duas abordagens inovadoras para atender à essa necessidade.

O primeiro método é o Teste Rápido, baseado na tecnologia de imunocromatografia com ouro coloidal, que permite resultados de alta precisão em questão de minutos. Essa metodologia é ideal para ambientes de produção que exigem monitoramento contínuo e respostas rápidas, proporcionando uma solução eficaz e fácil de usar para controle de qualidade.

O segundo método, o Teste Microbiológico, utiliza a tecnologia avançada do Método de Redução do Preto Brilhante (BRT) baseado em processos de oxirredução. Esse método emprega esporos do Geobacillus stearothermophilus, que só germinam na ausência de antibióticos, e o corante Preto Brilhante, cuja detecção ocorre pela redução catalisada pelos elétrons liberados durante a metabolização de nutrientes pela bactéria. Em comparação com testes convencionais baseados em pH, o método de oxirredução é mais confiável, pois elimina o risco de resultados positivos causados por fatores externos, como a qualidade do leite ou a presença de outras substâncias que possam acidificar o meio, garantindo resultados mais robustos e minimizando o risco de falsos negativos. Essas duas tecnologias complementares asseguram que os kits de MilkSafe™ atendam aos mais rigorosos padrões de segurança alimentar, com soluções que combinam precisão, confiabilidade e rapidez para o controle de qualidade do leite.

Testes Rápidos MilkSafe™

Uma gama de soluções para diferentes cenários

Qual o teste de antibióticos ideal?

É preciso conhecer o tipo de tratamento dispensado aos animais na cadeia de produção

MilkSafe™ Web Service

Melhore sua configuração de garantia de qualidade e eficiência operacional

Teste microbiológico

Redução do preto brilhante (BRT)

Is your MilkSafe™?
Seu leite está seguro?

Linha de produtos

Para os antibióticos mais usados

A linha de produtos MilkSafe™ foi projetada para o nível de LMR da UE e abrange todos os antibióticos comumente usados, mas é flexível o suficiente para oferecer testes personalizados quando necessário.

 MilkSafe™ Testes de tiras padrão

 MilkSafe™ Testes de cassete em uma etapa

Os testes MilkSafe™ estão disponíveis em formatos baseados em tiras e cassetes que abrangem os antibióticos mais usados em laticínios.

O MilkSafe™ Web Service estabelece rastreabilidade e transparência em testes de antibióticos por meio de coleta centralizada de dados.

MilkSafe™: Adaptação ao cenário brasileiro

Para o consumidor final, a garantia de que o leite e seus derivados estejam livres de resíduos de antibióticos é essencial.

Através dos kits MilkSafe™, os produtores de lácteos podem proporcionar aos consumidores confiança na pureza e segurança dos produtos que consomem. Este nível de garantia é especialmente importante em um mercado onde os consumidores estão cada vez mais conscientes e exigentes em relação à origem e qualidade dos alimentos que consomem.

Além da eficácia na detecção de uma ampla gama de antibióticos, MilkSafe™ é adaptável a diferentes necessidades de mercado. Recentemente, a Novonesis desenvolveu uma versão customizada de testes MilkSafe™ para o mercado brasileiro, levando em consideração as especificidades das regulamentações e os desafios enfrentados pelos produtores de leite no Brasil.

Essa adaptação é crucial para atender às demandas específicas e aos requisitos da indústria de laticínios, contribuindo para a redução das incidências de testes negativos e garantindo a conformidade com a legislação brasileira, juntamente com estudo que garante que a customização não atrapalhe o aspecto tecnológico da produção dos derivados lácteos, como queijos e iogurtes. A personalização dos testes é um importante passo na melhoria da sustentabilidade e na garantia da qualidade dos produtos lácteos no país. Ao fornecer uma solução que se alinha com as expectativas e os padrões locais, a Novonesis promove a excelência na indústria de laticínios e atende às necessidades dos produtores e consumidores brasileiros.

Certificação internacional e conformidade regulatória

Além de recursos técnicos avançados, os testes de antibióticos da Novonesis são certificados pelo Instituto de Pesquisa Agrícola da Flandres (ILVO), com sede na Bélgica, e estão em conformidade com a legislação brasileira e outros padrões regulatórios internacionais. Essa certificação e conformidade garantem aos produtores de laticínios e aos consumidores resultados confiáveis e válidos.

Impacto dos resíduos de antibióticos na fermentação

Os resíduos de antibióticos no leite representam um desafio crítico para a indústria de laticínios, pois podem comprometer a qualidade dos produtos, afetando o sabor, textura e também desvios no processos de fabricação. Mesmo quando presentes em concentrações abaixo do Limite Máximo de Resíduos (LMR), certos antibióticos têm o potencial de inibir a atividade das culturas lácticas responsáveis pela fermentação, resultando em iogurtes com acidificação retardada e queijos com propriedades sensoriais comprome- tidas. Isso contribui para perdasde produtividade e aumento de desperdícios.

Estudos realizados por Berruga et al. (2008) e Navrátilova et al. (2022) demonstraram que os antibióticos beta-lactâmicos, como as cefalosporinas, afetam diretamente as culturas bacterianas usadas na fermentação de produtos lácteos. As bactérias lácticas, responsáveis pela produção de ácido lático, são essenciais para o desenvolvimento de características sensoriais adequadas, como textura e sabor. A presença de alguns antibióticos, mesmo em concentrações abaixo do LMR (limite máximo de resíduos), pode resultar em fermentação incompleta, gerando produtos com sabor indesejado e textura inferior.

Estudos realizados pela Novonesis apontaram a capacidade de algumas outras drogas, principalmente do grupo das Quinolonas, em desestabilizar a cultura iniciadora, composta por Streptococcus thermophilus e Lactobacillus delbrueckii subsp. bulgaricus podendo ser adicionadas outras bactérias ácido-láticas, utilizada na fabricação de iogurtes, resultando em características indesejadas no produto, mesmo sem alterar o tempo de fermentação. A crescente rigidez no controle de resíduos de antibióticos impôs à indústria e aos produtores a adoção de padrões mais rigorosos, com penalidades em caso de não conformidade. Para garantir a qualidade do leite e atender às exigências legais, as indústrias de laticínios precisam monitorar os antibióticos mais prevalentes em suas áreas de captação, ajustando suas avaliações para incluir testes periódicos, especialmente para os antibióticos menos comuns. O monitoramento contínuo é crucial para mitigar os riscos associados aos resíduos de antibióticos e assegurar a produção de leite de alta qualidade.

Sustentabilidade e retorno financeiro para os laticínios

Além dos benefícios diretos para os consumidores e na qualidade dos produtos, MilkSafe™ oferece vantagens significativas de sustentabilidade e retorno financeiro para os laticínios. Ao reduzir o desperdício de leite contaminado, que pode ocorrer em diferentes níveis de produção, os produtores conseguem otimizar seus processos e minimizar custos. Essa eficiência pode contribuir para uma gestão mais econômica dos recursos e promover a sustentabilidade econômica do setor.

Impacto da presença de antibióticos na textura do iogurte

Firmeza do gel é afetada sem afetar o tempo de fermentação1

1. Estudo interno em colaboração com o National Dairy Research Institute, Índia.

Tempo necessário para a fermentação até pH 4,60 – 4,65

Exemplo de tempo prolongado pela presença de antibióticos

1. O Ceftiofur é um medicamento específico que faz parte da família dos beta-lactâmicos.

Referências Bibliográficas

WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO guidelines on use of medically important antimicrobials in food-producing animals. Geneva: World Health Organization, 2019. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789241515528. Acesso em 16 out. 2024.

Berruga MI, Novés B, Molina MP, Román M, Molina A. Influence of cephalosporins on the coagulation time of yogurt made from ewes milk. Int J of Dairy Tech – 2008. DOI: https://doi.org/10.1111/j.1471-0307.2008.00421.x

Navrátilova, P.; Borkovcova, I.; Stastkova, Z.; Bednarova, I.; Vorlova, L. Effect of Cephalosporin Antibiotics on the Activity of Yoghurt Cultures. Foods 2022, 11, 2751. DOI: https://doi.org/10.3390/foods1118275

HA-LA BIOTEC

Produção trimestral da Novonesis

Coordenação e edição: Raquel Chiliz
Consultoria e redação técnica: Luan Rodrigo Marciano e Lúcio A. F. Antunes
Editoração: Cia da Concepção

DISTRIBUIDORES AUTORIZADOS

Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul: LC Bolonha Ingredientes Alimentícios Ltda. Tel.
(41) 3139-4455 (bolonha@lcbolonha.com.br). Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro: Produtos Macalé. Tel. (32) 3224-3035 (macale@macale.com). Goiás, Tocantins, Distrito Federal, Mato Grosso, Rondônia e Pará: Clamalu Comércio e Representações Ltda. Tel. (62) 3605-6565 (romulo@clamalu.com.br e j.clareth@clamalu.com.br). Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe: Latec NE Ingredientes. Tel. (82) 98787-6564 (atendimentone@latecingredientes.com.br) São Paulo, Amazonas, Roraima, Acre: Latec Ingredientes. Tel. (15) 3202-1017 e (15) 98180-0002 (atendimento@latecingredientes.com.br).

Este informativo é uma comunicação entre empresas sobre ingredientes destinados a bens de consumo. Não se destina a consumidores de bens de consumo final. As declarações aqui contidas não são avaliadas pelas autoridades locais. Quaisquer afirmações feitas em relação a consumidores são de exclusiva responsabilidade do comerciante do produto final. O comerciante deve conduzir suas próprias investigações legais e de adequação para garantir que todos os requisitos nacionais sejam seguidos.

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Edição 167

NSLAB e os Impactos na qualidade do iogurte

O processo comercial para a fabricação de iogurtes utiliza globalmente uma mistura definida de bactérias láticas composta por Streptococcus thermophillus e Lactobacillus delbrueckii subsp. bulgaricus, podendo conter outras bactérias, inoculadas ao leite a partir do cultivo matriz de fermentação. Em um mercado competitivo e influenciado diretamente por ocilações no cenário econômico, um dos principais desafios da indústria de leites fermentados é a redução dos impactos das perdas por desvios de qualidade e reclamação de consumidores.

Atualmente, diversos laticínios que processam Leites Fermentados têm enfrentado problemas de contaminação por populações de bactérias láticas não provenientes do cultivo (NSLAB). Esta microbiota está contida no leite cru, e é proveniente de contaminações durante o processo de ordenha; sua composição dependente de fatores geográficos e climáticos.

As bactérias do grupo das NSLAB se desenvolvem espontaneamente nos processos produtivos de produtos lácteos e seu crescimento pode impactar diretamente na qualidade dos produtos durante o tempo de vida útil para consumo. Pois, além do nível de contaminação proveniente do leite cru, algumas cepas podem sobreviver ao processo de pasteurização (termodúricas) e/ou aos tratamentos de limpeza, por meio da formação de biofilmes, podendo recontaminar o leite já pasteurizado a partir da contaminação do ambiente fabril.

Os desvios na qualidade do iogurte provenientes da contaminação pela microbiota NSLAB podem gerar impactos financeiros para as empresas, não apenas em relação ao descarte e devolução de produtos, mas, também, em relação à desvalorização da marca pela insatisfação do consumidor ao comprar produtos com qualidade alterada. Para iogurtes, a contaminação por este grupo de bactérias particularmente heterogêneo pode resultar em problemas, como: excesso de acidez, sabores e odores estranhos e variados, perda ou alteração da coloração principalmente em produtos que contenham corantes artificiais, perda da viscosidade, desestabilização da base, sinérese e formação de gás.

Caracterização da microbiota NSLAB

Os principais grupos de bactérias que caracterizam as NSLAB são Lactobacillus, Leuconostoc, Pediococcus e Enterococcus. Esta microbiota é essencialmente descontrolada, podendo se desenvolver em amplas faixas de pH e temperatura, e a predominância de algumas espécies em detrimento de outras é determinada pela capacidade de utilização dos substratos disponíveis, sendo eles: metabolização da lactose e/ou citrato de cálcio; além da racemização da molécula de lactato.

As atividades proteolíticas do grupo de Lactobacillus podem contribuir para o acúmulo de peptídeos amargos que resultam em “off flavour”, além de defeitos de textura como a formação de gás. Estas bactérias também são capazes de formar biofilmes nos equipamentos, sobrevivendo aos efeitos de sanitizantes e sistemas de CIP (“cleaning in place”). Algumas cepas podem impactar na descoloração do produto sob condições anaeróbias convencionais, anaeróbias facultativas e aeróbias; contudo, o grau de descoloração depende de vários fatores, como a natureza do corante e estabilidade em relação às variações de temperatura e concentrações de oxigênio.

Do grupo das NSLAB, o Leuconostoc é uma das mais importantes bactérias produtoras de gás. Algumas cepas de Leuconostoc produzem gás, diacetil, acetato e acetoína por meio da metabolização do citrato. Entretanto, os Pediococcus também são capazes de produzir acetato e CO2 a partir do lactato na presença de O2 e, também, podem impactar na alteração de sabor dos iogurtes.

Já os Enterococcus, ocorrem amplamente nos ambientes, mas são associados principalmente ao trato intestinal e sua presença em leites fermentados é frequentemente associada a má higienização. Estas cepas têm elevada probabilidade de sobreviver ao processo de pasteurização e podem metabolizar o citrato formando acetaldeído, acetoína, diacetil e CO2. Podem apresentar atividades lipolíticas e proteolíticas que irão impactar na estrutura da coalhada formada durante a fermentação, causando desestabilização da base láctea, perda de textura e aumento da sinérese.

Desvios na qualidade

Exemplos de contaminação por NSLAB

1. Desestabilização da base láctea

2. Iogurte com formação de gás

3. Perda de coloração no iogurte

Importância da higienização do processo produtivo

Além do leite e demais matérias-primas, a manutenção da qualidade do iogurte é regida por uma multiplicidade de fatores inter-relacionados, como a limpeza das superfícies que entram em contato com o produto, equipamentos do processo, máquinas de envase e materiais de embalagem.

Após o processamento do leite e derivados, os equipamentos passam a apresentar resíduos de alto valor nutritivo, como carboidratos, gorduras, proteínas e minerais. Esse aumento na carga de matéria orgânica durante o ciclo de processamento é passível de multiplicação microbiana, pois fornece os nutrientes necessários para o crescimento dos microrganismos remanescentes nos equipamentos.

Quanto maior o ciclo de produção, maior será a carga de resíduos, podendo levar à formação de biofilmes que dificultam a limpeza devido à adesão dos constituintes do leite. O biofilme tem potencial para agir como fonte de contaminação microbiana crônica, que pode comprometer a qualidade dos produtos. Eles são representados por populações de bactérias aderentes umas às outras e/ou à superfícies, sendo capazes de formar micro ou macro colônias nos equipamentos.

Com isso, é importante que o CIP seja realizado de forma eficiente, garantindo a remoção de sujidades para melhor controle da proliferação de contaminantes.

Métodos de detecção

O controle da contaminação por NSLAB é de grande relevância, considerando os elevados impactos na qualidade dos iogurtes, nos custos de operação da indústria, bem como na segurança e confiança do consumidor.

Para detecção microbiológica são conhecidas as dificuldades na determinação de micro colônias e a incapacidade da identificação de linhagens selvagens de NSLAB pelos métodos fenótipos. Porém, é possível identificar a presença da microbiota por meio da análise de contagem total de NSLAB e da contagem de bactérias fermentadoras de citrato.

Para a determinação de NSLAB total utiliza-se o meio de cultura MRS e/ou M17 + Vancomicina, resultando no crescimento de colônias, em sua maior parte, compostas por grande variedade de bactérias do grupo bacilos, no qual não é possível distinguí-las e identificá-las devido à elevada diversidade de cepas. Portanto, para produtos que utilizam cultivos mesofílicos em sua composição não é indicada a aplicação desta metodologia, pois o resultado encontrado pode ser falso-positivo.

O método de contagem total baseia-se na premissa de que o iogurte é composto, obrigatoriamente, pelas bactérias termofílicas S. thermophillus e L. bulgaricus, que não se multiplicam a 22 °C. Portanto, se o produto não apresenta em sua composição a adição de bactérias mesofílicas adjuntas, o crescimento resultante pode ser relacionado com o crescimento da microbiota contaminante NSLAB.

Já para a determinação de bactérias fermentadoras de citrato, deve-se considerar o uso do meio de cultura ágar Leesment, enriquecido com componentes como citrato de cálcio e carboximetilcelulose utilizados como substratos, favorecendo assim o crescimento deste grupo de bactérias. Na leitura desta análise pode-se encontrar bactérias da família das enterobactérias, Pediococcus, Leuconotoc e, também, bactérias do grupo dos bacilos produtoras de gás, como, por exemplo, Lactobacillus plantarum.

Outra forma de detectar a contaminação por NSLAB no processo produtivo de iogurtes é por meio da avaliação de eficiência de limpeza CIP nas etapas do processo que compreendem a pasteurização, linhas de transferência e tanques de fermentação. Este método identifica pontos críticos de contaminação onde ocorre o aumento da carga celular contaminante, favorecendo a recontaminação do leite. Considerando que todas as bactérias pertencentes a microbiota NSLAB são bactérias ácido láticas, ou seja, produtoras de ácido lático, o método baseia-se na leitura comparativa de deslocamento de pH das amostras coletadas durante o processo e incubadas à temperatura de fermentação. Fixando-se o mesmo delta de deslocamento de pH, pode-se concluir que quanto maior for a carga celular contaminante, menor será o tempo de acidificação e, consequentemente, menor deverá ser o intervalo entre CIP.

Ambas vias analíticas são eficientes e complementares para detecção e controle da microbiota NSLAB, sendo possível correlacionar o nível de contaminação com os desvios de qualidade nos iogurtes citados inicialmente.

Para a detecção de biofilmes, a análise de superfície (SWAB) após a sanitização das linhas em diferentes pontos de coleta, principalmente em locais de difícil acesso, também é uma eficiente forma de identificar os pontos críticos de contaminação.

Detecção microbiológica

Contagem total e bactérias fermentadoras

1. Resultado microbiológico para análise de determinação de NSLAB total.

2. Resultado microbiológico para análise de bactérias fermentadoras de citrato.

3. Bactérias fermentadoras de citrato da microbiota NSLAB (Leuconostoc)

Controle da microbiota NSLAB

Associadas ao controle de qualidade do leite e eficiência de limpeza nas linhas de processamento de iogurte, algumas práticas adotadas no processo podem contribuir para manter baixos os níveis de contaminação por NSLAB.

Elevados intervalos de estocagem da base láctea no tanque de mistura podem impactar na proliferação bacteriana, considerando que a pasteurização do leite cru no recebimento não é eficiente para eliminar grande parte das bactérias que compõem este grupo. Sabemos que a pasteurização reduz de forma logarítmica a carga bacteriana contida no leite. Desta forma, quanto maior for a carga contaminante da mistura a ser processada, maior a probabilidade do produto carrear altos níveis de contaminação.

A concentração de inóculo do cultivo adicionado contribui significativamente para proteger o produto contra a proliferação de microrganismos indesejáveis, pois quando se utiliza a dosagem nominal (indicada) do cultivo, maior será a carga celular de Streptococcus thermophillus e Lactobacillus delbrueckii subsp. bulgaricus e, com isso, menor será a fase LAG, prevenindo o crescimento de contaminantes. Na cinética de acidificação, a fase LAG representa a fase de latência do cultivo, ou seja, o cultivo ainda não iniciou seu processo de multiplicação. Neste intervalo, as condições são ideais para a proliferação de contaminantes, pois além de não haver competição devido à fase de adaptação do cultivo, oferece condições ótimas tanto em relação à temperatura quanto à oferta de substratos. Em outras palavras, quando “esticamos” a dosagem do cultivo adicionado para fermentação, menor será a carga celular e maior será o intervalo da fase LAG e maior será a probabilidade de desenvolvimento de contaminantes.

Outra prática que pode ser adotada é resfriar o produto logo após ele atingir o pH de corte na etapa de fermentação, uma vez que, o resfriamento rápido contribui para frear o crescimento de bactérias contaminantes. Além disso, de forma alternativa, porém de maior impacto em investimento, tecnologias de microfiltração e bactofugação podem ser empregadas no processo a fim de remover microrganismos indesejáveis.

O controle da microbiota contaminante NSLAB em iogurtes contribui para a redução do desperdício de alimentos e geração de resíduos decorrentes do descarte de produtos, além de reduzir os impactos financeiros gerados por problemas de desvios de qualidade e, consequentemente, gerar maior satisfação e fidelização do consumidor.

HA-LA BIOTEC

Produção trimestral da Novonesis

Coordenação: Ana Luisa Costa
Edição: Raquel Chiliz
Consultoria e redação técnica:
Natália Helena Goes e Lúcio A. F. Antunes
Editoração: Cia da Concepção

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Edição 166

Yieldmax®

Explorando a rentabilidade na produção de queijos

Para o setor queijeiro, rendimento é uma questão vital do ponto de vista econômico e conseguir aproveitar o máximo dos constituintes do leite no queijo, em particular proteína e gordura, é fundamental para a indústria se tornar cada vez mais competitiva. Por isso, utilizar ingredientes que potencializam o aproveitamento de sólidos tem se tornado uma tarefa indispensável na busca pela rentabilidade. O rendimento pode ser impactado por diversos fatores, como a gestão da matéria-prima em relação à qualidade do leite, o controle e a padronização do processo produtivo e, principalmente, a melhor recuperação das proteínas e gorduras na produção do queijo.

Observando-se a valorização dos constituintes do leite a fim de aproveitar as melhores oportunidades no mercado, é possível identificar o potencial da gordura láctea para capturar valor no processo produtivo. Sabemos que os preços oscilam entre as regiões, mas analisando a média do cenário nacional no gráfico abaixo, concluímos que o preço da matéria gorda, seja como manteiga ou creme a granel, tem se destacado quando comparado ao preço da muçarela, apontando, dessa forma, que a redução da gordura do leite na fabricação de queijo passa a ser um fator muito interessante para ser considerado no âmbito industrial.

Biossoluções

Combinação da Novozymes e Chr. Hansen cria a Novonesis

Em dezembro de 2022 a Novozymes e a Chr. Hansen celebraram acordo para criar um parceiro líder global de biossoluções por meio de uma fusão estatutária das duas empresas. Todas as aprovações e registros regulatórios estão agora em vigor e a combinação foi concluída com sucesso após o registro final com a Autoridade Empresarial Dinamarquesa em 29 de janeiro de 2024. Novozymes e Chr. Hansen estão agora unidas como uma das principais empresas globais de biossoluções. A Novonesis reúne a força das duas organizações e as maravilhas da biologia, aliando inovação e desenvolvimento de biossoluções transformadoras para melhorar a maneira como produzimos, consumimos e vivemos.

A nova empresa será um líder global, com ampla “caixa de ferramentas biológicas” e um portfólio diversificado em mercados atraentes. O grupo terá receita anual de aproximadamente 4 bilhões de euros. Irá operar uma rede internacional de centros de P&D e plantas produtivas, empregando cerca de 10 mil funcionários orientados por objetivos inspirados pelo poder das biossoluções. A Novonesis continuará a criar poderosas soluções para clientes e parceiros com base em mais de 100 anos de inovação e experiência, gerando impacto significativo e positivo na sociedade e no planeta.

Novonesis

O nome Novonesis tem origem nas raízes clássicas da ciência. “Gênesis” é grego para “origem” ou “começo”. Ao escolher uma palavra com raiz grega, a empresa homenageia os pensadores gregos antigos (de Pitágoras a Aristóteles) que desempenharam um papel fundamental no desenvolvimento da ciência como a conhecemos hoje.  O nome “Novo” está associado a forte capacidade científica, uma mentalidade orientada por propósitos, uma  herança nórdica, assim como uma grande contribuição social. Todos são ativos e valores compartilhados pela futura empresa combinada.

Como a gordura está presente no leite?

O leite bovino contém entre 3 e 5% de gordura em forma de emulsão, formada por pequenos glóbulos com tamanho médio de 3 a 4 μm, estabilizados por uma membrana muito fina. Existem cerca de 15 bilhões de glóbulos de gordura por mililitro de leite, podendo variar dependendo da raça, estágio de lactação e dieta do animal. A gordura do leite é predominantemente formada por triglicerídeos que representam, aproximadamente, 98% da fração lipídica total e os 2% restantes são compostos por monoglicerídeos e diglicerídeos, ácidos graxos, fosfolípides, esteróis e vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K).

O triglicerídeo é a combinação de uma molécula de glicerol mais 3 ácidos graxos, ou seja, cada glicerol liga-se a três moléculas de ácidos graxos; porém, existem diferentes combinações de ácidos graxos em um único triglicerídeo devido à grande variedade deste componente no leite.

Composição da membrana do glóbulo de gordura

A membrana que envolve o glóbulo de gordura é composta principalmente por fosfolipídeos e proteínas (ver figura na página 3). Apresenta funções importantes e atua como uma barreira entre a fase aquosa do leite e os triglicerídeos, que são hidrofóbicos e não possuem afinidade com a água, assim como, isola e protege os glóbulos contra a ação de enzimas (Lipases).

A estabilidade da membrana do glóbulo de gordura é diretamente afetada pelo pH do leite. À medida que o pH do leite cai, aumenta a sensibilidade à ruptura desta camada protetora. Se a membrana for fisicamente danificada por alto cisalhamento, ocorrerá a liberação da gordura presente dentro do glóbulo, conhecida como gordura livre. Durante a fabricação de queijos a gordura livre não será incorporada à coalhada; dessa forma, aproximadamente 10% dessa gordura será perdida no soro, afetando diretamente a taxa de recuperação e, consequentemente, o rendimento.

Perdas de gordura na fabricação de queijos

Medir o percentual de recuperação de gordura na fabricação de queijos auxilia a entender a eficiência do processo. Sabemos que a gordura tem grande impacto nas propriedades reológicas e sensoriais, mesmo sem exercer nenhum papel ativo na etapa de coagulação, ou seja, melhorar a taxa de recuperação está diretamente relacionada à integridade e ao tamanho dos glóbulos de gordura, às características físicas da rede proteica, à eficiência no momento do corte e a ação termomecânica aplicada durante o processo.

Devido à alta valorização da matéria gorda no mercado, otimizar a recuperação de gordura no queijo se torna uma grande oportunidade na busca de maior eficiência produtiva e aumento da rentabilidade. Dependendo da composição do leite e tecnologia empregada, 85 a 95% da gordura do leite será retida na coalhada e o restante perdido no soro. Na produção de queijo muçarela, por exemplo, a taxa de recuperação de gordura raramente ultrapassa 90% devido às perdas adicionais encontradas no processo de filagem. Por meio de fórmulas específicas é possível medir a taxa de recuperação de gordura, identificando o percentual que foi transferido do leite para o queijo, assim como, a quantidade em gramas de gordura que foram necessárias para produzir 1kg de queijo. Visando mensurar e interpretar os dados obtidos no processo, podemos correlacionar os cálculos para identificar como aumentar a eficiência produtiva, pois quanto melhor a taxa de
recuperação, menos gordura será perdida no soro e menor será a quantidade necessária de gordura para fabricar 1 kg de queijo.

Recuperação de gordura

Várias técnicas foram desenvolvidas para aumentar a recuperação de sólidos e o rendimento em queijos, desde a otimização dos equipamentos utilizados no processo até tecnologias envolvendo a concentração do leite por meio de micro ou ultrafiltração. Geralmente são tecnologias que envolvem maior custo de investimento, um complicador para a maioria dos fabricantes.

A homogeneização é um método muito utilizado nos processos produtivos de diversos produtos lácteos afim de estabilizar a emulsão, causando redução do tamanho e ruptura dos glóbulos de gordura. Os novos glóbulos formados são envolvidos em parte por uma mistura de proteínas, sendo a caseína a principal fração. A nova conformação da membrana facilita a interação entre a gordura e a rede proteica formada durante a coagulação, retendo mais gordura na coalhada (Ver gráfico ao lado). Na fabricação, exceto para grupos específicos de queijos, não é comum a prática de homogeneização, pois, além da necessidade de investimento, o leite homogeneizado forma um coágulo com menor tendência à sinérese, impactando no aumento do teor de umidade que gera elevada atividade de água e acelera as reações bioquímicas que causarão o amolecimento e alterações sensoriais do queijo. A ruptura da membrana do glóbulo de gordura favorece a ação de lipases promovendo a lipólise, não desejada para a maioria dos tipos de queijos.

YieldMAX®

YieldMAX® é uma fosfolipase A1, obtida através de cepas de Aspergillus oryzae capaz de hidrolisar a ligação éster Sn-1 do fosfolipídeo presente na membrana do glóbulo de gordura, gerando um composto chamado lisofosfolipídeo. Esse composto apresenta propriedades que emulsionam água e gordura durante o processamento, interagindo também com as proteínas, que formam complexos lipoproteicos (ver figura na página 5).

A utilização de YieldMAX® dispensa altos investimentos e promove maior retenção de gordura na coalhada, em especial em queijos de massa filada e queijos frescos, sem interferir nas propriedades de coagulação; em outras palavras, atua diretamente no aumento do rendimento desses queijos. Apresenta atividade estável em amplas faixas de pH e temperatura, variando a dosagem entre 2 e 5 LEU/g de gordura no leite.

Um dos possíveis efeitos advindos da aplicação da fosfolipase é a formação de espuma no tanque, relacionada a uma característica inerente ao processo emulsificante, pois a propriedade surfactante da enzima reduz a tensão superficial, resultando na incorporação de ar. É possível minimizar o impacto da geração de espuma através de adaptações, tanto em relação ao momento da adição da enzima, quanto em ajustes no processo.  No setor lácteo, para algumas categorias de queijos, as lipases são utilizadas para realçar aroma, modificar sabor e acelerar a maturação. Por outro lado, devido à especificidade na ligação Sn-1 do fosfolipídeo, YieldMAX® não promove lipólise e mantém inalterados os atributos sensoriais e de funcionalidade, como fatiamento, derretimento e elasticidade para queijo muçarela. YieldMAX® não impacta na qualidade e processamento posterior do soro. Na fabricação de queijos de massa filada a taxa de recuperação de gordura raramente ultrapassa 90%, mas com o uso de YieldMAX® é possível observar um efeito maior na retenção de gordura, podendo obter taxas superiores a 90% o que permite um menor uso de gordura na padronização do leite. Para resultados ainda mais surpreendentes, a combinação de YieldMAX® e CHY-MAX® Supreme tem alcançado maiores benefícios de rendimento em queijos de massa filada. Aplicações práticas realizadas no Brasil em queijo muçarela, devido a melhora significativa na taxa de recuperação de gordura, foi possível reduzir a gordura do leite em torno de 10%, gerando um volume excedente de matéria gorda de aproximadamente 3 toneladas em 1 milhão de litros de leite, sem alterar o padrão de qualidade e aumentando significativamente a rentabilidade do fabricante. YieldMAX®, é enzima do portfólio da NOVONESIS, já conhecida por uma parcela dos fabricantes de queijos muçarela e/ou Minas Frescal. Dados históricos de testes têm mostrado que a aplicação dessa enzima, juntamente com o coagulante CHY-MAX® Supreme, pode levar a obtenção de ganho de rendimento na ordem de 1 a 3%.

Legislação

O uso de fosfolipase A1 foi aprovado no Brasil através da Instrução Normativa 286, de 8 de março de 2024, que estabelece funções tecnológicas, limites máximos e condições de uso para aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia autorizados para uso em alimentos.  De acordo com o Anexo V, a enzima está aprovada para aplicação em leites fermentados e queijos, sendo classificada como coadjuvante de tecnologia sem necessidade de ser rotulada/declarada na lista de ingredientes do produto. Para os casos de formação de espuma durante o processo de fabricação de queijos com aplicação de YieldMAX®, a Instrução Normativa 286 contempla também o uso de antiespumantes mono e diglicerídeos para aplicação no leite.

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Produção trimestral da Novonesis

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